Grécia propõe à UE a 'maioridade digital' a 15 anos e verificação obrigatória da idade
Grécia propõe à UE a 'maioridade digital' a 15 anos, verificação obrigatória de idade e sanções às plataformas para proteger menores online.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Grécia propõe à UE a 'maioridade digital' a 15 anos e verificação obrigatória da idade
Em um movimento de desenho estratégico no tabuleiro regulatório europeu, a Grécia apresentou à Comissão Europeia uma proposta para instituir uma maioridade digital uniforme em toda a UE, fixada em 15 anos, acompanhada de mecanismos rigorosos de verificação da idade e de aplicação. A sugestão foi reiterada por Dimitris Kirmikiroglou, secretário-geral de Comunicação e Informação, durante o jantar informal de ministros organizado pela presidência irlandesa, dedicado à proteção dos menores online.
O evento também foi ocasião para a apresentação do relatório dos copresidentes da Comissão especial de peritos para a segurança das crianças online (Special Panel on Child Safety Online), criada pela presidente da Comissão, Ursula von der Leyen. Na sua intervenção, Kirmikiroglou recordou a carta do primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis à presidente da Comissão, que formalizou a proposta da maioridade digital europeia aos 15 anos.
A proposta grega não se limita à determinação de um limiar etário: pede uma verificação obrigatória da idade a nível comunitário, reverificações periódicas e um mecanismo europeu de aplicação com sanções efetivas às plataformas que incumpram. No plano doméstico, a própria Grécia aprovou um veto nacional de acesso às redes sociais para menores de 15 anos, com entrada em vigor marcada para 1º de janeiro de 2027.
Segundo Kirmikiroglou, o relatório fornece "uma base sólida e documentada" que expõe como os riscos a que os menores estão expostos — desde as características estruturais de dependência das plataformas, o anonimato que alimenta a toxicidade, o cyberbullying, o grooming, a ansiedade e a depressão, até algoritmos que favorecem o automutilamento e a desinformação — derivam de escolhas de design feitas para maximizar o tempo de utilização.
A Grécia avançou medidas práticas: a aplicação Kids Wallet, que permite aos pais verificar a idade dos filhos e fixar limites, e a participação do país em sete nações-piloto do mecanismo europeu de verificação da idade. Kirmikiroglou sublinhou que a "autodeclaração de idade" é ineficaz e que a segurança online deve estar integrada no design das plataformas. Elementos como o scroll infinito, a reprodução automática, notificações persistentes e os algoritmos de recomendação, que alimentam a dependência, devem vir desativados por defeito para menores, com o ónus da prova a cargo das plataformas.
No entanto, advertiu-se que as restrições por si só não serão suficientes. A União Europeia deve apoiar estratégias nacionais de alfabetização mediática como alavanca positiva para as novas gerações. Invocando Sócrates e a força do pensamento crítico — a capacidade de questionar o que nos é dito — Kirmikiroglou afirmou que a regulamentação não pode ser a única resposta: é preciso educar, envolver famílias e jovens e construir alicerces sociais duradouros.
Do ponto de vista geoestratégico, esta iniciativa grega representa um movimento decisivo no tabuleiro político da UE: procura harmonizar normas num espaço regulatório fragmentado, evitando que sejam erguidas vinte e sete soluções nacionais divergentes que fragilizariam os alicerces da diplomacia digital europeia. A proposta coloca a questão central da responsabilidade das plataformas e redesenha, de forma invisível, fronteiras de proteção entre o Estado, o mercado e a infância — um jogo de poder que exigirá coordenação, engenharia legislativa e vontade política.

