Em Carrara, o festival con-vivere reencontra a arte de Abitare e repensa como habitamos o mundo
Em Carrara, o festival con-vivere 2026 debateu o tema Abitare entre ciência, arte e música, refletindo sobre como habitamos o mundo.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Em Carrara, o festival con-vivere reencontra a arte de Abitare e repensa como habitamos o mundo
Fechou-se no domingo, 13 de setembro de 2026, a 21ª edição do festival con-vivere em Carrara. Sob a direção de Emanuela Mazzi e com a curadoria científica de Elena Granata — título anual adotado pelo evento desde 2020 —, a edição deste ano teve como fio condutor o tema Abitare, uma palavra que soou como um convite a olhar o habitar não apenas como técnica, mas como gesto cultural e político.
Durante quatro dias a cidade se transformou num laboratório aberto: praças, igrejas e salas públicas viraram cenários de conversas, caminhadas, oficinas e debates que cruzaram filosofia, urbanismo, pedagogia e ciência. O programa articulou vozes diversas — entre elas Barbara Carnevali, Franco La Cecla, Sarah Gainsforth, Paola Bonfante e Simone Pollo — para pensar espaços urbanos, a crise da moradia, a presença da natureza nas cidades e a responsabilidade ecológica que informa o ato de morar.
Houve ainda atenção para a infância, com intervenções de Riccardo Bosio, e para as formas de conflito urbano, abordadas por Francesco Chiodelli. Esses encontros compuseram um mosaico que ressaltou como a experiência do habitar é simultaneamente individual, coletiva e histórica — um verdadeiro espelho do nosso tempo.
As noites mesclaram conferenze spettacolo e música, em um repertório que percorreu memórias e afetos. Paolo Colombo evocou a epopeia de Shackleton; Walter Veltroni fez um passeio pelos anos 60 acompanhado ao piano por Gabriele Rossi; Ema Stokholma e Gino Castaldosi propuseram um duelo afetivo entre as estéticas dos anos 80 e 90. No palco também passaram Irene Fornaciari, Sabina Guzzanti e Michele Bravi. O encerramento teve um concerto lírico na Catedral e um set unplugged de Fabio Concato na praça Alberica, entre clássicos e novas sugestões sobre o sentido do morar hoje.
Dois diálogos provocaram focos de aprofundamento. O jornalista Filippo Lubrano conduziu a conversa "O trabalho sem nós. O que faremos se a inteligência artificial nos substituir em tudo ou quase tudo?", colocando em cena questões urgentes sobre automação, identidade e organização social. Em paralelo, Alessandro Mantovani discutiu "Nei labirinti contemporanei", lendo o labirinto como metáfora do enigma e do desorientar na era das mapas digitais e dispositivos que prometem domar espaços.
Mais do que um festival, a edição 2026 de con-vivere em Carrara funcionou como um reframe da realidade: ao reunir música, teatro, ciência e pensamento crítico, ofereceu ao público ferramentas para repensar o ato de habitar como prática estética e ética. Foi uma narrativa coletiva que nos pediu — com a delicadeza e a urgência de quem muda o cenário de cena — que reconsideremos as formas de morar, resistir e imaginar futuros possíveis.

