Fitto propõe adaptar regras da UE às regiões ultraperiféricas; decisão sobre Ceuta e Melilla cabe ao Conselho
Fitto anuncia estratégia UE para 9 regiões ultraperiféricas; adaptação de regras e 114,7 milhões para Ceuta e Melilla. Decisão sobre estas, no Conselho.
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Fitto propõe adaptar regras da UE às regiões ultraperiféricas; decisão sobre Ceuta e Melilla cabe ao Conselho
Por Marco Severini — Em Bruxelas, o vice‑presidente executivo da Comissão Europeia, Raffaele Fitto, apresentou uma nova estratégia europeia destinada às nove regiões ultraperiféricas da União Europeia, num movimento que procura transformar distância geográfica em vantagem estratégica. Na linguagem das relações internacionais, trata‑se de um movimento decisivo no tabuleiro para reforçar o alcance geopolítico e a coesão do projeto europeu.
As nove regiões apontadas no plano são: Guiana Francesa (Guyana), Guadalupe, Martinica, Mayotte, Reunião, Saint‑Martin (França), Açores, Madeira (Portugal) e Ilhas Canárias (Espanha). Apesar da distância do continente, Fitto enfatizou que esses territórios "são ao centro do nosso projeto europeu" e merecem regras calibradas às suas realidades específicas.
O pacote legislativo anunciado é o primeiro conjunto normativo europeu dedicado a estas regiões e visa adaptar, quando necessário, as regras da União Europeia aos desafios locais em setores como agricultura, pesca, migração e fiscalidade. A estratégia estrutura‑se em quatro objetivos claros: reforçar o papel geoestratégico e a integração regional; aumentar a competitividade e o acesso ao mercado único; melhorar a resiliência e a preparação; e promover a equidade social.
Entre as prioridades operacionais destacam‑se a conectividade, as energias renováveis, a proteção das infraestruturas estratégicas, o adaptação climática e o acesso a habitação, saúde e educação. Segundo Fitto, ao converter potencial estratégico em oportunidades concretas — crescimento económico e melhores condições de vida — a Europa fortalece não apenas os cinco milhões de habitantes dessas regiões, mas toda a arquitetura europeia, parcialmente sustentada por estes alicerces frágeis.
Sobre a hipótese, avançada pelo primeiro‑ministro espanhol Pedro Sánchez, de incluir as cidades autónomas de Ceuta e Melilla entre as regiões ultraperiféricas, Fitto foi categórico: trata‑se de uma questão que "não é competência da Comissão" e «será decisão do Conselho». Em termos práticos, explicou o vice‑presidente, Madrid deverá apresentar uma proposta formal aos Estados‑membros para que o tema seja apreciado colectivamente. Este é um exemplo do delicado redesenho de fronteiras invisíveis que a diplomacia europeia precisa gerir com precisão.
Fitto recordou também a recente alocação de 114,7 milhões de euros feita pela Comissão em 9 de setembro para apoiar Ceuta e Melilla, classificando esse montante como "um sinal importante" de atenção às zonas de fricção nas bordas do espaço comunitário. No plano estratégico, esse recurso é parte de uma tectônica de poder que procura reduzir vulnerabilidades e prevenir crises.
Em termos geopolíticos e de política pública, este pacote representa um esforço por modular a legislação europeia segundo a cartografia socioeconómica e geográfica do bloco. Como analista, observo que a proposta busca construir pontes — e fortificar alicerces — sem sacrificar a coerência interna do quadro regulatório europeu. A execução, todavia, exigirá negociações delicadas entre instituições e Estados‑membros, onde cada passo será medido como uma jogada estratégica no tabuleiro das prioritárias da União.

