Meloni e De Wever em Roma: defesa de fronteiras, energia e pedido de agenda ao Conselho Europeu

Meloni e De Wever alinham defesa de fronteiras, energia e indústria em Roma, pedindo ação ao Conselho Europeu em outubro.

Meloni e De Wever em Roma: defesa de fronteiras, energia e pedido de agenda ao Conselho Europeu

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Meloni e De Wever em Roma: defesa de fronteiras, energia e pedido de agenda ao Conselho Europeu

Por Marco Severini — Em um encontro calculado no centro de Roma, a primeira visita do primeiro-ministro belga Bart De Wever à capital italiana, recebido pela presidente do Conselho, Giorgia Meloni, desenhou-se como um movimento estratégico no tabuleiro europeu: ajuste de prioridades económicas, coordenação em políticas de defesa e uma chamada urgente ao próximo Conselho Europeu para enfrentar a crise dos custos de energia.

Guia Italia + — O conteúdo continua após a publicidade.

Continuação do Conteúdo ↘

O encontro, ocorrido poucas horas após a vitória eleitoral do partido Alternative für Deutschland (AFD) na Alemanha e em contexto de discordância do Bélgica quanto ao uso, em favor da Ucrânia, de ativos soberanos russos congelados na Europa, foi descrito por Meloni como uma verificação da sólida parceria económica entre os dois Estados. O intercâmbio bilateral atingiu os 45,6 bilhões de euros em 2025, um dado que a primeira-ministra destacou como fundamento para ampliar cooperações estratégicas, especialmente na indústria de defesa e em setores tecnológicos de alto valor agregado.

Na leitura que faço deste encontro, não se tratou apenas de celebrar números comerciais, mas de redesenhar, com serenidade, as linhas de influência e as respostas da União Europeia a choques externos — do Irã à Ucrânia — e às suas repercussões económicas, notadamente os preços energéticos. Meloni insistiu na necessidade de levar a debate, no Conselho de 15 e 16 de outubro em Bruxelas, um pacote mais corajoso e completo sobre custos energéticos, recordando a proposta italiana de margens orçamentais para mitigar efeitos do bloqueio no Estreito de Hormuz.

Além de competitividade e coesão — com apelos à concretização dos compromissos da política de coesão e da PAC em vista do próximo quadro financeiro plurianual —, os dois líderes alinharam posições sobre migrações irregulares. Meloni foi categórica: “Só é possível preservar o espaço Schengen se protegermos as fronteiras externas da União, se todos os Estados-membros cumprirem o seu papel no combate aos traficantes e à imigração clandestina de massa.” De Wever manifestou acordo, destacando que apenas uma política de repatriações credivel pode tornar eficaz a política migratória europeia e sublinhando a necessidade de reforçar a fronteira mediterrânea.

Outro ponto de convergência foi a vocação por uma Europa com maior autonomia estratégica: ambos referiram a importância de relançar a indústria e de dotar a União de capacidades mais resilientes em matéria de defesa. De Wever, alinhado com o governo italiano, também retomou a defesa do reforço do nuclear como componente do mix energético europeu.

Em tom diplomático e cortês, De Wever encerrou as declarações em italiano, agradecendo a “accolienza calorosa”. Para quem observa o palco europeu com lentes de geopolítica, este encontro soa como um ajuste finíssimo de peças — reforçando alianças, reafirmando prioridades e preparando o terreno para um próximo Conselho onde se definirão, talvez, movimentos decisivos na tectônica de poder do continente.

Guia Italia + — O conteúdo continua após a publicidade.

Continuação do Conteúdo ↘