Itália–França unem forças pelo futuro do cinema: nasce o Manifesto pela Alfabetização Visual Universal
Itália e França lançam Manifesto pela Alfabetização Visual Universal e criam grupo de especialistas para fortalecer cinema e diversidade cultural na Europa.
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Itália–França unem forças pelo futuro do cinema: nasce o Manifesto pela Alfabetização Visual Universal
Por Chiara Lombardi — Na margem luminosa da Mostra di Venezia, duas tradições cinematográficas europeias deram um passo conjunto que soa como um pequeno terremoto no mapa cultural do Velho Continente. A Direção-Geral de Cinema e Audiovisivo do Ministério da Cultura italiano (DGCA) e o Centro Nacional do Cinema e da Imagem Animada francês (CNC) anunciaram uma aceleração na cooperação bilateral com um objetivo claro: proteger e expandir o papel do cinema como património cultural, indústria e acontecimento público.
Resultado prático desse alinhamento é o recém-redigido Manifesto para a Alfabetização Visual Universal, elaborado em conjunto por DGCA e CNC e apresentado oficialmente pelos Ministérios da Cultura de Itália e França no contexto do Lumière Summit em Saint-Paul-De-Vence. O documento — mais do que um texto técnico — funciona como um espelho do nosso tempo: propõe um reframe da educação audiovisual para que cidadãos de todas as idades desenvolvam competências críticas diante das imagens que moldam memória e desejo coletivo.
Essa declaração de intenções foi precedida pelo Programa de Cooperação assinado em 25 de junho de 2026, em Antibes, e agora ganha medidas concretas: além do Manifesto, será constituído um grupo de especialistas dedicado às políticas europeias dos setores do cinema e do audiovisual. A iniciativa nasce para articular posições comuns, promover a diversidade cultural, ampliar o público e reforçar as indústrias criativas em face das transformações tecnológicas e dos fluxos de mercado.
O grupo, que reunirá especialistas, representantes institucionais e profissionais da indústria, está previsto para se formar oficialmente em Roma no próximo outubro, em coincidência com a Festa do Cinema de Roma e o MIA — Mercado Internacional Audiovisivo. Entre as prioridades apontadas estão a revisão da Diretiva sobre Serviços de Mídia e Audiovisuais e o programa AgoraEU, temas que exigem um discurso europeu unificado para proteger o modelo cultural europeu e sua pluralidade linguística.
Como observadora, vejo nessa aliança algo além da diplomacia habitual: trata-se de escrever um novo roteiro possível para o público. Ao propor uma alfabetização visual universal, Itália e França apostam em cidadãos mais capacitados a decodificar narrativas, a reconhecer hábitos de consumo cultural e a preservar a fábrica da criatividade que alimenta festivais, salas e plataformas.
O Manifesto nasce, portanto, como um convite — e como um teste de política pública — para que a educação, a indústria e as instituições caminhem juntas. É um movimento que reflete a convicção de que o cinema não é apenas entretenimento: é uma linguagem que espelha, molda e desafia a sociedade. Se o projeto consolidar-se nos próximos meses, poderemos estar diante de um novo capítulo na defesa da diversidade cultural europeia, escrito em comum por dois países cujo repertório simbólico e histórico continua a definir grande parte da gramática audiovisual contemporânea.

