Paolo Conte e Pascoli: a poesia que o emocionou desde a infância recebe homenagem em Asti

Paolo Conte recebe o Prêmio Pascoli à Carreira e declara Pascoli seu poeta favorito; recordações, emoções e influência de Myricae e 'Cavalla storna'.

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Paolo Conte e Pascoli: a poesia que o emocionou desde a infância recebe homenagem em Asti

Por Chiara Lombardi — Em um diálogo que parece um plano-sequência sobre a memória cultural, Paolo Conte recebeu o Premio Pascoli alla Carriera em sua residência em Asti. A homenagem foi acompanhada por uma entrevista em vídeo conduzida por Miro Gori, projetada em pré-estreia nacional no Giardino di Casa Pascoli, em San Mauro Pascoli, durante a cerimônia do Premio Pascoli em Lingua e Dialetto — agora em sua 21ª edição, promovida por Sammauroindustria.

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No vídeo, Conte confessou que conheceu Giovanni Pascoli ainda na escola primária e que, desde então, o poeta foi “sempre o meu preferido em absoluto de todos i poeti italiani”. A reação emotiva diante de versos como "Cavalla storna" não é apenas luto pelas imagens que a poesia evoca, explicou, mas admiração pela sua construção teatral: “È commovente, potente, meraviglioso”. Essa admiração, acrescentou, só ganhou novas camadas quando descobriu que Pascoli fora também um grande latinista — um reframe que iluminou o poeta sob outra luz.

Entre as obras que mais o comovem, Conte destacou a peça de Pascoli que começa com «Noi mentre il mondo va per la sua strada…», inserida em Myricae, na seção ‘Ultima passeggiata’. Para ele, essas imagens são “a número uno” — um superlativo que, na voz de Conte, acontece como um close dramático sobre o roteiro oculto da vida cotidiana. É a prova de como a poesia pode funcionar como espelho do nosso tempo e como geradora de emoção autêntica.

A entrevista também mapeou as influências literárias do cantor: nomes como Dino Campana e Camillo Sbarbaro figuram entre seus “pais” poético-letterários. E uma admiração profunda por Giorgos Seferis, o poeta grego laureado com o Nobel em 1963, cujo efeito em Conte foi descrito como uma vibração de algo “lontano e antico” — um eco cultural que atravessa fronteiras e traduz memórias em paisagens sonoras.

No mesmo evento em San Mauro Pascoli, ocorreram as premiações nas seções Dialetto e Lingua. Amilcare Mario Grassi foi premiado na seção Dialetto com o volume “A ciòka di vèci” (Samuele Editore) — entregue pelo assessor do Comune Tiziano Bianchini. Na seção Lingua, Isabella Leardini recebeu o reconhecimento por “Maniere Nere” (Mondadori), entregue por Corrado Monti, da Romagna Banca. A cerimônia, apresentada por Miro Gori, contou com intervenções de Daniele Gasperini, presidente de Sammauroindustria, e Daniela Baroncini, presidente da giuria do premio. Interlúdios musicais do Ensamble Amici della Musica deram tensão e leveza à noite, como pequenos refrões que pontuam um filme.

Receber o Premio Pascoli alla Carriera, disse Conte, foi motivo de honra e agradecimento à giuria. Mais do que um troféu, a homenagem atua como um espelho: revela linhas de continuidade entre música e poesia, entre memória escolar e formação íntima do artista — um roteiro cultural que persiste e que continua a nos transformar.

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