Assopannelli alerta: voto em Estrasburgo será decisivo para excluir a urea do CBAM e preservar competitividade
Assopannelli pede exclusão da urea do CBAM e manutenção do artigo 27a; voto em Estrasburgo pode decidir competitividade da cadeia de painéis.
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Assopannelli alerta: voto em Estrasburgo será decisivo para excluir a urea do CBAM e preservar competitividade
Por Giulliano Martini — Apuração e cruzamento de fontes confirmam que Assopannelli, a associação di FederlegnoArredo que representa a cadeia dos painéis à base de madeira, voltou a pressionar decisores europeus para alterações no pacote legislativo do CBAM. O recado é objetivo: manter o articolo 27a proposto pela Comissão Europeia — a cláusula de salvaguarda acionável em caso de graves distorções de mercado — e excluir a urea do anexo do mecanismo. O voto previsto para a semana em Estrasburgo será, segundo a entidade, crucial.
Em comunicado, Paolo Fantoni, presidente de Assopannelli, ressaltou riscos concretos à competitività do setor: "L’inclusione dei fertilizzanti nell’allegato del CBAM, tra cui l’urea, rappresenta una criticità che preoccupa l’intero settore". A urea não é apenas um insumo agrícola; trata-se de matéria-prima estratégica para a produção de resinas e colas empregadas nos painéis de madeira, aponta o presidente.
Dados verificados pela reportagem indicam que a introdução do CBAM sobre fertilizantes tenderia a elevar o custo das importações de urea provenientes de fora da UE, com impacto estimado na ordem de 10–12% ao longo da cadeia produtiva até o produto final e o consumidor. A projeção considera incidências diretas de tarifa e a repercussão sobre insumos industriais essenciais.
Fantoni também sublinha que o cenário de curto prazo agrava a situação: o preço do gas voltou a subir para aproximadamente 82 euros por MWh, ante cerca de 45 euros de um mês antes — variação que, dada a dependência do gás no processo de produção da urea, pode provocar novos saltos de preço independentemente do CBAM. "È impensabile che l’Europa continui ad essere sorda di fronte alle richieste di filiere strategiche per il nostro export e per il Made in Italy", declarou Fantoni, pedindo aprovação de emendamentos que atendam às demandas do setor em nome de empresas e trabalhadores.
A ação de Assopannelli é coordenada com outras associações europeias: um position paper conjunto foi entregue ao Parlamento Europeu, ao Conselho e à Comissão, reforçando a posição comum contra custos indesejados sobre insumos fundamentais para as filiere europee dei pannelli a base di legno e per il comparto dell'arredamento. Fontes consultadas confirmam que o documento busca tanto a manutenção da salvaguarda do articolo 27a quanto a exclusão específica da urea.
Do ponto de vista técnico, o pleito de Assopannelli encontra respaldo na natureza dual da urea (uso agrícola e industrial) e na necessidade de evitar distorções que prejudicam cadeias de valor exportadoras. A denúncia é prática: a escalada dos custos energéticos já pressiona margens e pode reduzir a competitividade externa de produtos europeus, com efeitos em cascata sobre emprego e investimento.
O momento político é sensível. O voto em Estrasburgo, que decidirá se as modificações propostas serão acolhidas, aparece como ponto de inflexão. A única certeza em campo é a urgência mostrada pelas associações industriais — uma contestação técnica, fundamentada em dados de mercado e em risco real de perda de competitividade — que agora busca traduzir pressão setorial em decisão legislativa.
Relato técnico, apuração e cruzamento de fontes permanecem ativos; acompanhamento próximo do desfecho do voto em Estrasburgo será garantido.
Giulliano Martini
Correspondente, Espresso Italia — reportagem focada em fatos brutos e verificação técnica.

