Papa Leone revoga cortes de Francisco e restabelece salários dos cardeais
Papa Leone revoga os cortes salariais de 2021 feitos por Francisco e restabelece os vencimentos dos cardeais, encerrando a redução de 10%.
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Papa Leone revoga cortes de Francisco e restabelece salários dos cardeais
Por Giulliano Martini — Em motu proprio publicado nesta semana, o Papa Leone decidiu revogar as medidas de contenção salarial adotadas por papa Francesco no documento Un futuro sostenibile de 23 de março de 2021. O ato papal extingue, de forma definitiva, a redução aplicada aos vencimentos dos cardinais, que previa uma diminuição de dez por cento em relação à última remuneração paga.
O texto do motu proprio justifica a revogação lembrando que aquelas medidas "foram necessárias — escreve Leone — também para fazer face à excecional desafio da pandemia". Em seguida, registra que "essas medidas podem agora ser superadas, com a certeza de que as Instituições da Santa Sé e do Estado da Cidade do Vaticano prosseguirão, por outros instrumentos, o compromisso de garantir a sustentabilidade econômica".
Em termos práticos, a revogação significa o fim da retenção de 10% que vinha sendo aplicada aos proventos do colégio cardinalício desde 2021. O ato legislativo foi adotado por iniciativa direta do Papa Leone e formaliza uma alteração nas normas internas de gestão de pessoal e retribuição da Cúria e de outros órgãos vaticanos.
Do ponto de vista administrativo, a publicação do motu proprio aciona procedimentos internos para o ajustamento das folhas de pagamento e para a revisão das rubricas aplicadas aos ordenados. Embora o documento reconheça que a contenção adotada no passado foi motivada por circunstâncias extraordinárias — a pandemia e as consequências econômicas associadas —, aponta também que a continuidade das políticas de sustentabilidade será garantida por "instrumentos diferentes".
Essa formulação abre espaço para que a Santa Sé utilize mecanismos de gestão orçamentária distintos da retenção salarial direta — por exemplo, ajustes contábeis, revisão de despesas administrativas ou redistribuição de recursos entre dicastérios — sem, contudo, detalhar quais instrumentos serão adotados.
O motu proprio reafirma a competência papal para regular a matéria e não apresenta exceções locais: aplica-se às retribuições dos cardinais que recebiam a redução prevista em 2021. O texto não indica um impacto imediato sobre outros níveis salariais dentro da estrutura eclesiástica, limitando-se ao que foi explicitamente alterado pelo documento de 23 de março de 2021.
Como repórter com longa experiência em cobertura do Vaticano, registro que a mudança tem relevância dupla: trata-se de uma decisão normativa que reverte uma economia de austeridade introduzida pelo papado anterior e, ao mesmo tempo, de um sinal institucional sobre a maneira como o novo pontífice pretende gerir o equilíbrio entre disciplina orçamentária e retribuição do clero de alta hierarquia. A expectativa passa a ser pelo anúncio dos "instrumentos diferentes" prometidos, cuja natureza definirá o alcance financeiro e político da medida.
Apuração rigorosa e cruzamento de fontes oficiais permanecerão necessários para acompanhar a implementação prática da revogação e os reflexos no orçamento da Santa Sé.

