Schlein pressiona por programa comum: salário mínimo, saúde e apoio à Ucrânia no centro-esquerda

Schlein propõe salário mínimo, reforço da saúde pública e apoio à Ucrânia; centro-esquerda busca acordo programático antes das primárias.

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Schlein pressiona por programa comum: salário mínimo, saúde e apoio à Ucrânia no centro-esquerda

Do palco da Festa dell'Unità em Reggio Emilia, diante de mais de dez mil pessoas, Elly Schlein desenhou a aspiração do centro-esquerda de se apresentar como alternativa ao atual governo. A secretária do Partido Democrático oficializou, na prática, sua candidatura à chefia do Executivo e traçou prioridades que pretende transformar nos alicerces da lei de uma futura administração progressista.

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Schlein deixou clara a ordem de trabalho: primeiro afinar o programa comum, depois decidir com os aliados como se chegará a um candidato único. "Primeiro afinamos o programa, depois decidiremos com os aliados: ou se chegará a um acordo ou faremos as primárias", disse, lembrando que a aliança progressista deve ampliar-se e não sofrer vetos. O recado aos parceiros foi objetivo: não permitir que disputas de detalhe derrubem a construção de direitos.

O ataque ao governo de Giorgia Meloni foi direto: "O governo Meloni fracassou", criticou Schlein, que voltou a colocar no centro da agenda a saúde pública, o salário mínimo e o congédo parental — temas apresentados como parte da missão de derrubar barreiras burocráticas que impedem a melhoria do dia a dia dos cidadãos.

Na pauta também entrou a defesa do serviço público: promessa de reformar a Rai e o aviso de que "Giorgia Meloni é a última premier que loteia o serviço público". Schlein afirmou ainda que para derrotar as forças nacionalistas é preciso unir a esquerda com outras forças democráticas e trabalhar por uma Europa mais integrada: "serve uma Europa federal".

O interlocutor mais complicado no tabuleiro é Giuseppe Conte, líder do Movimento 5 Estrelas. Conte reapareceu pedindo um pacto escrito e assinado, para evitar que formações menores possam ter poder de veto sobre decisões governamentais. O ponto de maior divergência, porém, é a política externa — em especial o apoio à Ucrânia e a assistência militar. Conte advertiu que não será possível continuar a mesma linha de escalada militar adotada por Meloni; Schlein respondeu com firmeza: "Sustentamos e continuaremos a sustentar o povo injustamente invadido na Ucrânia pela ofensiva militar de Putin".

Os parceiros menores aceleram o coro por propostas concretas. A Alleanza Verdi e Sinistra exigiu foco em prioridades eleitorais: salários, saúde pública, justiça social e ambiental, crise climática, custo da energia, direitos civis, paz, desarmamento e restauração do direito internacional. "Os italianos nos pedem para entrar em acordo, vamos agilizar o programa", disse Angelo Bonelli.

Nicola Fratoianni pediu medidas sociais "corajosas": uma lei para eliminar a precariedade do trabalho, uma proteção mais efetiva dos salários e o relançamento da proposta de salário mínimo diante da inflação persistente. Fez ainda um ataque ao riarmo global, descrevendo-o como "uma loucura que conduz o mundo a um beco sem saída".

As negociações pelo programa comum seguem como obra em construção: trata-se de erguer uma ponte entre visões distintas e assentar os novos alicerces da lei que deverão garantir serviços públicos fortes, direitos trabalhistas e uma política externa coerente. Como repórter que acompanha as decisões de Roma e suas repercussões cotidianas, registro que o momento exige rapidez e clareza — e que o peso da caneta, quando usada com responsabilidade, pode transformar conflitos internos em segurança jurídica para milhões de cidadãos.

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