Macron reapresenta à UE proposta para banir redes sociais a menores de 15 anos
Macron reapresenta à UE proposta para proibir redes sociais a menores de 15 anos, após rejeição do texto pelo Conselho Constitucional.
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Macron reapresenta à UE proposta para banir redes sociais a menores de 15 anos
Por Marco Severini — Em um movimento calculado no centro do tabuleiro europeu, o presidente francês Emmanuel Macron submeteu à Comissão Europeia uma nova redação legislativa que visa proibir o acesso a social networks a menores de 15 anos. O anúncio foi feito pelo próprio presidente na plataforma X, acompanhado da promessa lacônica: “iremos até o fim”.
Esta iniciativa reaparece após a sentença do Conselho Constitucional de meados de agosto, que havia derrubado o texto aprovado pelo Parlamento francês por considerá-lo uma “interferência desproporcional” nas liberdades de expressão e comunicação dos adolescentes. Confrontado com essa derrota institucional, o Executivo redesenhou a proposta para atender às reservas constitucionais e ao enquadramento do direito europeu, segundo informou uma fonte do governo citada pela Afp.
No âmago da nova proposta está uma listagem técnica — cerca de uma dezena de funcionalidades tidas como nocivas ou geradoras de dependência entre os mais jovens. Entre os mecanismos mencionados constam a reprodução automática de vídeos, o envio de notificações durante a noite e a possibilidade de comunicar com perfis desconhecidos. A ideia, nas palavras do presidente, é que o texto possa assumir-se como “a norma para todas as crianças europeias”.
Do ponto de vista estratégico, trata-se de uma tentativa de deslocar o debate do nível doméstico para o palco comunitário: ao transformar uma lei nacional em proposta de regulamentação europeia, Paris procura construir um novo alicerce normativo que neutralize as fragilidades jurídicas apontadas pelo seu próprio Conselho constitucional. É uma jogada de longo prazo, equivalente a uma manobra de peça menor que assegura posição melhor no final do jogo.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deve apresentar suas propostas sobre o tema em discurso no Parlamento europeu nesta sexta-feira. O sincronismo entre as iniciativas de Paris e o calendário de Bruxelas indica um ambiente propício para que o assunto avance na agenda comunitária — embora não seja possível antever sem resistência a uniformização de regras tão intrusivas para as liberdades individuais.
Para além das questões jurídicas, a medida levanta um debate mais amplo sobre a tutela de menores no espaço digital e sobre os limites entre proteção pública e regulação da experiência online. Tecnologias de recomendação, arquiteturas de incentivo e economia da atenção compõem um terreno fértil para dependência comportamental; tratá-las unicamente por norma legal exige precisão técnica e consenso transnacional.
Na escala geopolítica, a proposta francesa é também um sinal da tensão entre soberanias nacionais e governação multilateral: Paris busca transformar um constrangimento jurídico interno em norma europeia, uma tentativa de consolidar um eixo de influência regulatória. Como sempre, as decisões que moldam o espaço digital das novas gerações desenham, discretamente, as fronteiras da próxima ordem pública.
Em termos práticos, resta acompanhar os próximos passos: avaliação técnica da Comissão, reação dos outros Estados-membros, pressão das plataformas digitais e estratégias de advocacia civil. O resultado definirá se esta proposta será mais um movimento decisivo no tabuleiro ou apenas mais um lance simbólico numa partida longa e complexa.

