Rússia lança 160 drones contra a Ucrânia durante a noite; áreas residenciais e comerciais atingidas
Rússia lança 160 drones sobre a Ucrânia; áreas residenciais e comerciais atingidas, refinaria de Saratov atacada e alvos energéticos visados antes do inverno.
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Rússia lança 160 drones contra a Ucrânia durante a noite; áreas residenciais e comerciais atingidas
Por Marco Severini — Espresso Italia. Em mais um movimento de pressão no tabuleiro geopolítico, a Rússia lançou cerca de 160 drones contra alvos na Ucrânia durante a noite, informou o comando das Forças Armadas ucranianas. As ações incluíram também um míssil de cruzeiro lançado por drone, de acordo com as autoridades ucranianas.
Os ataques atingiram tanto pontos logísticos e infraestruturas críticas quanto áreas residenciais e comerciais. No distrito Dniprovskyi de Kiev, um ataque com drones deixou oito pessoas feridas; um edifício residencial de nove andares pegou fogo e foi evacuado, diz a polícia. Entre os feridos estão um homem de 64 anos e uma mulher de 57 anos internados por queimaduras, além de uma mulher de 23 anos com ferimentos por estilhaços, conforme o Serviço Estadual de Emergência da Ucrânia.
Na cidade sudeste de Zaporizhzhia, uma jovem mãe e seu filho de 10 anos ficaram feridos em um amplo ataque russo, segundo autoridades locais. Outras cidades, entre elas Dnipro e Odessa, também foram alvos nas ações da noite e na madrugada.
Os padrões dos ataques apontam para uma concentração sobre nós logísticos, armazéns e pontos de infraestrutura. Em Dnipro, foram registrados três ataques distintos: armazéns alimentares foram atingidos, com vítimas fatais e cinco feridos, conforme relatos locais. Em Odessa, autoridades relataram danos em infraestrutura.
Outra ação com drones, na noite de quinta-feira, provocou a morte de uma pessoa e ferimentos em outras duas na região de Kiev. Segundo o funcionário kievita Tymur Tkachenko, 17 locais foram afetados nos distritos de Bucha, Fastiv e Obukhiv.
O ataque mais letal noticiado atingiu um centro comercial na cidade industrial de Pavlohrad, no sudeste ucraniano: ao menos cinco mortos e 67 feridos, incluindo crianças. Oleksandr Hanzha, chefe da Administração Militar do oblast de Dnipropetrovsk, declarou que os ataques “destruíram lojas, comércios e veículos; parte de uma via no centro foi praticamente arrasada” e que cerca de 90% das estruturas danificadas eram de uso comercial. Hanzha acrescentou que crianças entre 4 e 17 anos estão recebendo atendimento médico.
No âmbito das represálias, drones ucranianos atingiram a refinaria de Saratov, na Rússia. Outro ataque provocou incêndio no centro logístico da empresa russa de comércio eletrônico Ozon. O governador do oblast de Saratov, Roman Busargin, informou sobre ameaças de drones na região; a assessoria do Ozon confirmou incêndio em seu hub logístico após ataques.
Em termos estratégicos, ambos os lados intensificam ataques às infraestruturas energéticas às vésperas do inverno: Moscou tem focalizado a rede elétrica e instalações energéticas ucranianas, enquanto Kiev mira instalações petrolíferas e de gás russas. Trata-se de um reordenamento de prioridades no tabuleiro de influência, onde a tática busca minar capacidades logísticas e a resiliência civil — um movimento que, em palavra de diplomacia prática, redesenha fronteiras invisíveis da vulnerabilidade.
Como analista, observo que, além do impacto humanitário imediato, estes episódios representam uma escalada calculada na tectônica de poder regional: ataques a centros comerciais e hubs logísticos não são apenas golpes materiais, mas tentativas de corroer a confiança da população e pressionar a capacidade de resposta do Estado. O próximo passo do conflito seguirá ditado pela capacidade de defesa aérea e pela verossimilhança de retaliações cirúrgicas, no jogo dificilíssimo entre dissuasão e dano direto.

