Coesistenza Festival no Monte Bondone: três dias para repensar a convivência entre humanos e fauna

Coesistenza Festival no Monte Bondone: três dias de debates e atividades sobre convivência entre humanos e fauna, com +40 eventos e perspectivas diversas.

Coesistenza Festival no Monte Bondone: três dias para repensar a convivência entre humanos e fauna

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Coesistenza Festival no Monte Bondone: três dias para repensar a convivência entre humanos e fauna

Retomando a lógica de diálogo e pluralidade que o sustenta desde a sua criação, o Coesistenza Festival volta a ocupar as Viote do Monte Bondone, em Trentino, entre os dias 4 e 6 de setembro, para a sua quinta edição. Mais de 40 encontros vão transformar as antigas casernas austro-húngaras no Campo Base da iniciativa: conferências, laboratórios, cafés científicos, teatro, cinema, fotografia e caminhadas guiadas, com programação pensada também para famílias.

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O festival nasceu, há cinco anos, com o propósito de criar um espaço onde fosse possível dialogar sobre a relação entre seres humanos e natureza — e, em particular, entre humanos e fauna. Anna Sustersic, presidente da PAMS Foundation, sintetiza a ambição: “Queríamos oferecer a possibilidade de encontrar pessoas com competências, experiências e pontos de vista diferentes: representantes de categorias, pesquisadores, escritores e outros atores. O objetivo é dar ao cidadão ferramentas para se informar e, por meio do confronto, construir a sua própria opinião.”

Da perspectiva de quem analisa sistemas e infraestrutura, encontros como este funcionam como um hub onde fluxos de conhecimento se conectam: políticas públicas, ciência aplicada, práticas de prevenção e experiências locais. Em termos metafóricos, o festival opera como um ponto de trocas no “sistema nervoso das montanhas”, onde normas jurídicas, técnicas de prevenção e percepções sociais cruzam-se para definir rotas de convivência.

A programação aborda temas complexos sem procurar leituras unívocas. Entre os tópicos em destaque estão o lobo e o urso, tratados dentro de um quadro mais amplo de coesistência. As conversas vão percorrer desde o enquadramento jurídico e as medidas de prevenção até as posições do mundo venatório, a biologia e a etologia, sem esquecer a dimensão psicológica da percepção do medo. Como observa Sustersic, “lobo e urso, embora espécies distintas, colocam uma questão comum: como partilhar espaço e recursos com outras formas de vida? Como encontrar as condições para fazê-lo da melhor maneira possível?”

O enfoque do festival é deliberadamente isento de polarizações. A organização não pretende ser nem a favor nem contra: busca abordar cada problemática com objetividade e confrontar o maior número possível de perspectivas. Essa postura reforça o papel do evento como plataforma cidadã: um lugar onde o público encontra elementos técnicos e narrativas humanas que permitem formar uma opinião informada, em vez de adotar respostas prontas.

Para além dos debates, o formato inclui atividades práticas e experiências sensoriais, integrando conhecimento acadêmico e saberes locais — um esforço de arquitetura social que visa construir instrumentos concretos de convivência. Em um território onde a presença de grandes carnívoros altera rotinas e infraestrutura rural, a troca entre cientistas, gestores, caçadores e cidadãos configura-se como etapa essencial para desenhar soluções adaptativas.

O Coesistenza Festival assume, assim, o papel de um laboratório de políticas públicas em tempo real: um espaço onde a linguagem técnica encontra a experiência cotidiana e onde o diálogo informado pode produzir estratégias viáveis para a convivência entre humanos e fauna nas paisagens europeias.

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