Financiamento impulsiona crescimento: instituições e mercado debatem futuro da indústria audiovisual em Veneza
Instituições e mercado financeiro debatem em Veneza estratégias de financiamento para fortalecer a cadeia audiovisual italiana e atrair investimentos.
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Financiamento impulsiona crescimento: instituições e mercado debatem futuro da indústria audiovisual em Veneza
Por Stella Ferrari — Em um painel estratégico no Italian Pavilion do Lido, durante a 83ª Mostra Internacional de Cinema de Veneza, representantes institucionais e do mercado financeiro delinearam caminhos para reforçar a capacidade industrial e financeira da cadeia audiovisual italiana. O encontro, promovido pelo Istituto per il Credito Sportivo e Culturale (ICSC), pelo Departamento de Atividades Culturais e pela Direção-Geral de Cinema e Audiovisual do Ministério da Cultura, teve como foco central a necessidade de ampliar o acesso a instrumentos de financiamento diversificados que sustentem a competitividade e a internacionalização do setor.
O painel intitulado "Financiar o futuro do Cinema e do Audiovisual italiano: ferramentas financeiras nacionais e perspectivas europeias para o crescimento do setor" reuniu a governança pública, bancos, operadores financeiros e organismos europeus para uma análise pragmática das condições que permitem às empresas culturalmente orientadas escalar com segurança. Em linguagem de alta performance: discutiu‑se como colocar o "motor da economia" do audiovisual em marcha com combustível financeiro adequado e controles de risco calibrados.
Participaram do debate a Subsecretária de Estado do Ministério da Cultura, Lucia Borgonzoni; o Diretor‑Geral de Cinema e Audiovisual, Giorgio Carlo Brugnoni; a CEO do ICSC, Antonella Baldino; e interlocutores-chave do ecossistema financeiro, entre eles Livio Schmid (Responsável por Instituições Financeiras, Cassa Depositi e Prestiti), Nicola Corigliano (Coordenador do Desk Especializado Media & Cultura, Banca dei Territori, Intesa Sanpaolo), Enrico Batini (Responsável Corporate Centro Itália, UniCredit), Alessia Iannoni Sebastianini (Senior Relationship Manager, SACE) e John McIlwaine (representante para a Itália do Fundo Europeu de Investimentos – FEI, do Grupo BEI).
O debate evidenciou o caráter complementar de diversas ferramentas: instrumentos públicos, crédito bancário, garantias, capital privado e mecanismos europeus. A tese central foi clara e técnica — sem dogmas: combinar essas alavancas permite acomodar fases distintas do ciclo de vida das empresas, desde projetos de desenvolvimento até a internacionalização comercial, assegurando que a investimento atenda tanto à criatividade quanto à sustentabilidade financeira.
A economia do setor audiovisual foi apresentada como um ativo estratégico do sistema cultural italiano, gerador de valor econômico, emprego qualificado, inovação e atração internacional. Em um mercado em rápida transformação — com novos modelos produtivos e de distribuição e competição global acirrada por investimentos e talentos — a disponibilidade de soluções financeiras adequadas funciona como uma verdadeira "calibragem de juros" para acelerar projetos viáveis e frear riscos excessivos.
Os números citados durante a sessão confirmam a capacidade do setor em atrair capital: entre 2016 e 2025, os investimentos ativados via Tax Credit Internacional aproximaram‑se de 2 bilhões de euros para o cinema e 1,3 bilhão de euros para o audiovisual. Esses dados reforçam que, com desenho de políticas e instrumentos financeiros corretos, a indústria pode transformar incentivos em projetos de escala e exportáveis.
Em conclusão, os participantes concordaram na necessidade de um diálogo contínuo entre público e privado e de uma arquitetura financeira integrada, capaz de sustentar o crescimento industrial da filiera audiovisual italiana. A proposta operacional é clara: afinar instrumentos, ampliar garantias, mobilizar capital privado e utilizar plataformas europeias para que o setor não apenas sobreviva à transformação digital, mas acelere rumo a novos mercados e modelos de negócio.

