Assassinato de Daphne Caruana Galizia segue sem identificação do mandante após absolvição de Yorgen Fenech

Após absolvição de Yorgen Fenech, caso do assassinato de Daphne Caruana Galizia segue sem mandante identificado.

Assassinato de Daphne Caruana Galizia segue sem identificação do mandante após absolvição de Yorgen Fenech

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Assassinato de Daphne Caruana Galizia segue sem identificação do mandante após absolvição de Yorgen Fenech

Daphne Caruana Galizia continua sem ver identificado o autor intelectual do atentado que a matou em 16 de outubro de 2017. Nesta última decisão judicial, o júri declarou Yorgen Fenech inocente das acusações de conspiração e cumplicidade no plano para assassinar a jornalista, segundo veredito anunciado após cerca de oito horas de deliberação e um voto de 8 a 1.

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O julgamento, acompanhado de perto por repórteres e analistas, durou dois meses. A sentença devolve ao caso um vazio processual sobre quem encomendou o crime: apesar da condenação dos executores materiais e de sentenças posteriores contra fornecedores do explosivo, não há, até o momento, um mandante legalmente responsabilizado.

Em apuração in loco e cruzamento de fontes, os fatos brutos do processo delineiam uma cronologia conhecida: Daphne Caruana Galizia, de 53 anos, foi morta por bomba colocada perto de sua casa. Os executores foram presos seis semanas após o atentado. Em outubro de 2022, dois irmãos foram condenados a 40 anos de prisão cada um por fabricar, plantar e detonar o engenho explosivo. Em junho de 2025, outros dois homens receberam pena de prisão perpétua por fornecerem o explosivo.

Yorgen Fenech, herdeiro do grupo Tumas e uma das figuras empresariais mais ricas de Malta, foi detido no final de 2019 a bordo de seu iate quando tentava deixar o país. A acusação afirmava que Fenech teria pago 150.000 euros a um intermediário para orquestrar o assassinato, buscando impedir a publicação de informações que pudessem prejudicar seus interesses, em particular as ligações com a empresa 17 Black. Fenech sempre negou ter encomendado o crime e apontou nomes da cena política — entre eles Keith Schembri, ex-chefe de gabinete do então primeiro-ministro Joseph Muscat — como potenciais responsáveis.

O réu compareceu ao julgamento em liberdade, após ter obtido fiança em fevereiro de 2025, depois de mais de cinco anos em custódia cautelar. A defesa sustentou que as provas apresentadas não eliminavam a dúvida razoável e destacou lacunas investigativas, solicitando a consideração de figuras políticas como possíveis mandantes. O júri, contudo, optou pela absolvição nas acusações de conspiração.

O processo judicial deixa, portanto, as mesmas perguntas centrais sem resposta: quem mandou e por quê? A família de Daphne Caruana Galizia declarou que a absolvição de Fenech "nega a Daphne a justiça que ela merece" e afirmou que hoje "deveria ter sido o dia de Daphne". Para os investigadores e observadores independentes, o caso permanece um diapasão de elementos provados — executores e fornecedores punidos — e de uma lacuna crucial: o autor intelectual não foi legalmente identificado nem condenado.

Na esteira das revelações dos Panama Papers e das investigações periodísticas que expuseram conexões entre negócios e poder em Malta, o crime contra Daphne Caruana Galizia segue sendo um ponto de interrogação para a integridade institucional do país. O cenário processual atual reforça a necessidade de apuração contínua e de diligência nas investigações, com cruzamento de fontes e transparência das provas, para que fatos brutos sejam convertidos em responsabilidades claras.

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