Preconceitos etários no emprego custam caro às empresas italianas, mostra pesquisa Ecssa
Pesquisa Ecssa: preconceitos etários prejudicam empresas italianas; falta de profissionais entre 35-45 e barreiras para over 55 exigem resposta imediata.
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Preconceitos etários no emprego custam caro às empresas italianas, mostra pesquisa Ecssa
Por Giulliano Martini — A mais recente investigação da Ecssa (European Confederation of Search & Selection Associations) delineia um quadro paradoxal e potencialmente danoso para as empresas italianas: a escassez de talentos no mercado convive com práticas de recrutamento que mantêm preconceitos etários capazes de excluir profissionais experientes e reduzir a competitividade. A apuração resulta do cruzamento de dados recolhidos na Itália, Alemanha, França, Bélgica, Espanha e Luxemburgo.
Os números assumem contornos inéditos: na Itália, a falta de candidatos idôneos concentra-se não só entre os jovens (under 30) mas também na faixa intermediária de carreira (35-45 anos). Para 47% dos recrutadores italianos consultados, são justamente os profissionais entre 35-45 anos os mais difíceis de encontrar no mercado. O resto da Europa, em contraste, aponta a carência quase exclusiva de perfis de meia carreira, com uma média europeia que eleva a pressão sobre os 35-45 anos.
O resultado é um duplo déficit: escassez de perfis juniores e vazio significativo de profissionais já formados e com experiência. No terreno da inserção e da recolocação, os profissionais italianos entre 35 e 45 anos enfrentam barreiras mais acentuadas do que seus pares europeus: 35% dos seletores italianos detectam obstáculos relevantes para essa categoria — um indicador que contradiz a média europeia, onde os mid-career são frequentemente considerados mais protegidos no mercado.
“Os dados da pesquisa Ecssa”, afirma Valerie Schena Ehrenberger, presidente da Ecssa e CEO da Valtellina Lavoro, “fotografam um mercado de trabalho italiano penalizado por barreiras anagráficas que parecem difíceis de derrubar. Há um curto-circuito cultural: as empresas procuram perfis entre 35 e 45 anos, que são escassos, mas continuam a impor limites de idade que excluem os profissionais over 55. Num país com envelhecimento demográfico, a inclusão geracional e o combate aos bias em seleção não são mais apenas uma opção ética, mas uma alavanca de competitividade indispensável”.
O diagnóstico sobre os profissionais over 55 é contundente: 47% dos headhunters italianos concordam que essa classe etária enfrenta os maiores obstáculos para entrar ou reintegrar-se em empresas. Ainda assim, há um sinal positivo: a Itália aparece no topo, junto com a França, pelo índice de mudança positiva na percepção sobre perfis sênior. Segundo a pesquisa, 55% dos entrevistados notaram nos últimos anos uma crescente abertura por parte das lideranças empresariais em relação a trabalhadores mais velhos.
Do ponto de vista prático, o levantamento aponta para riscos diretos à competitividade: manter critérios de seleção com limites etários reduz a reserva de talentos justamente quando as empresas dizem sofrer com sua falta em faixas críticas. A recomendação implícita no estudo da Ecssa é que as organizações revisem processos de recrutamento, removam vieses anagráficos e invistam em políticas de gestão de carreira intergeracional — medidas que, em combinação, podem mitigar a escassez e proteger a sustentabilidade operativa das empresas.
Esta reportagem resulta do cruzamento de fontes e da análise técnica dos dados da Ecssa. A realidade traduzida por esses números exige uma resposta estratégica imediata das empresas e dos responsáveis por políticas de emprego, sob pena de o custo dos preconceitos etários se transformar em fator de fragilidade econômica.

