Musetti treina com Federer em Nova York: encontro entre especialistas do backhand antes do US Open
Musetti treina com Federer em Flushing Meadows antes do US Open; encontro entre referências do backhand a uma mão e debate sobre evolução técnica.
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Musetti treina com Federer em Nova York: encontro entre especialistas do backhand antes do US Open
Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
A poucos dias do início do US Open, Lorenzo Musetti manteve a rotina de preparação em Flushing Meadows e participou de uma sessão de treinos que chamou atenção pela qualidade técnica e simbólica: depois de dividir o treino com Novak Djokovic, o jovem italiano teve a oportunidade de partilhar o campo com Roger Federer.
O encontro não foi apenas um momento promocional, mas um encontro entre tradições técnicas. Ambos são referências pelo backhand a uma mão, golpe hoje mais raro no circuito principal. O cenário — a mesma quadra central onde Federer voltaria à praça pública para uma exibição — transformou o ato do treino numa espécie de pequena cerimônia, um gesto de passagem entre gerações.
Federer apareceu em Nova York para a série de partidas exibição: primeiro um confronto em simples contra Andy Roddick e depois uma partida de duplas ao lado de John McEnroe contra a dupla formada por Andre Agassi e o próprio Roddick. Antes desses jogos, o suíço falou em coletiva sobre a história e a técnica do backhand a uma mão, oferecendo uma leitura que combina memória pessoal e observação pedagógica.
Nas palavras de Federer, é natural que o rovescio bimanual tenha se difundido: muitos treinadores contemporâneos privilegiam uma solução considerada mais segura para o controle e mais rápida de ensinar a jovens jogadores. Ele mesmo trouxe um exemplo íntimo, comentando a transição de um de seus filhos do backhand a duas mãos para o backhand a uma mão — um processo que exige paciência e tempo, qualidades em descompasso com a pressa do esporte moderno.
Essa reflexão tocou um ponto estrutural: a mudança técnica não pode ser separada da evolução dos equipamentos e das superfícies. Racchette, cordas e o próprio desenho do circuito influenciam a prevalência de certos golpes. Como observou Federer, o jogo moderno, com velocidades maiores de bola e exigências físicas, tende a favorecer soluções que permitam mais segurança: "o backhand a duas mãos te permite fazer mais", resumiu.
Para Musetti, a experiência tem duplo valor. Do ponto de vista esportivo, treinar com referências como Djokovic e Federer é uma oportunidade técnica rara; do ponto de vista simbólico, significa ocupar um espaço de diálogo entre tradições do tênis — uma Itália que forma talentos técnicos — e as forças que modelam o jogo atual. Em um torneio que sempre foi palco de encontros culturais e comerciais, a imagem de um jovem italiano batendo bolas com um dos maiores protagonistas da era moderna é também uma imagem sobre como o legado técnico se transmite, resiste e se reinventa.
Mais do que um aquecimento para os pontos que virão, foi uma lição pública sobre memória técnica e adaptações contemporâneas: Flushing Meadows, por alguns instantes, transformou-se em um observatório do tempo do tênis.

