25º aniversário do 11 de setembro: Trump vai ao Pentágono; Giuliani ataca Zohran Mamdani por presença em Ground Zero

25 anos do 11 de setembro: Trump vai ao Pentágono; Giuliani ataca Zohran Mamdani por presença em Ground Zero. Análise soberba de Marco Severini.

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25º aniversário do 11 de setembro: Trump vai ao Pentágono; Giuliani ataca Zohran Mamdani por presença em Ground Zero

Ao completar 25 anos do atentado de 11 de setembro, o país volta os olhos para uma cerimônia carregada de memória e tensões políticas. Em um movimento que redesenha, mais uma vez, pontos do tabuleiro político, Donald Trump optou por marcar presença no Pentágono, enquanto manda ao Ground Zero o vice J.D. Vance. A decisão do ex-presidente cristaliza uma escolha estratégica: pronunciar-se publicamente em um local diferente daquele da cerimônia central em Manhattan, onde o protocolo não permite discursos políticos.

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Na mesma esteira de atritos, Rudy Giuliani, aos 81 anos e declarado leal a Donald Trump, deflagrou uma nova investida pública contra Zohran Mamdani. Em entrevista à emissora conservadora Newsmax, Giuliani qualificou como ofensiva a presença de Mamdani em Ground Zero — lembrando que o atual alvo de suas críticas tinha 9 anos quando as torres gêmeas foram abatidas pelos terroristas da Al Qaeda, ato que provocou mais de 2.700 mortes apenas em Nova York.

O ex-prefeito, figura que em 2001 foi aplanada pela narrativa de unidade nacional e elogios — incluindo uma capa histórica do Time que o descreveu como um unificador —, deslocou-se ao longo das décadas para posições bem à direita, transformando-se em voz de setores da coalizão trumpista e em propagador de teorias conspiratórias. Na entrevista, Giuliani comparou Mamdani, de forma contundente, aos sequestradores, alegando que estes demonstravam hostilidade aberta em relação aos Estados Unidos, enquanto imputou a Mamdani uma postura de ocultamento dessa mesma hostilidade.

As palavras do veterano político não são apenas um ataque retórico: representam um movimento calculado no tabuleiro de influências, onde a memória coletiva do trauma é instrumentalizada para separar aliados e consolidar frentes internas. Giuliani chegou a falar, na mesma linha, de um suposto "complotto islamico" que, segundo ele, teria o apoio de certas lideranças locais com a ambição de controlar partes dos Estados Unidos e da Europa — uma alegação grave, mas não corroborada por evidências públicas.

Em Manhattan, contudo, o ritual de lembrança segue com presenças institucionais. Entre os que compareceram está George W. Bush, presidente durante os ataques e responsável pelas respostas militares subsequentes no Afeganistão e no Iraque. Retirado da cena política, Bush dedicou-se à pintura; recentemente, exibiu 16 retratos em tributo às vítimas na Presidential Library de Dallas — gesto que mistura memória pessoal e pública, preservando o luto em forma artística.

O 25º aniversário do 11 de setembro é, assim, palco de múltiplas narrativas: homenagem e contestação, memória e instrumentalização política. Como em uma partida de xadrez de alta gravidade, cada movimento — um discurso no Pentágono, uma ausência em Ground Zero, um ataque retórico em rede conservadora — reflete uma tentativa de redesenhar fronteiras invisíveis da influência política. Os alicerces da diplomacia e da convivência pública mostram-se, novamente, frágeis diante da tectônica de poder que realinha atores e símbolos.

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