Crise nas fronteiras: setor de viagens pede extensão da flexibilidade do EES após caos verificado no verão

Setor das viagens pressiona por prorrogação da flexibilidade do EES após caos nas fronteiras e filas de até cinco horas em aeroportos europeus.

Crise nas fronteiras: setor de viagens pede extensão da flexibilidade do EES após caos verificado no verão

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Crise nas fronteiras: setor de viagens pede extensão da flexibilidade do EES após caos verificado no verão

Ciao, viajante — aqui é Erica Santini, trazendo um olhar atento e sensorial sobre um tema que tocou o coração (e as filas) do Velho Continente neste verão. Após semanas de imagens de passageiros correndo para embarques perdidos e filas intermináveis, as medidas de exceção da União Europeia ao seu Sistema de Entradas/Saídas (EES) chegaram ao fim no domingo, 6 de setembro. Esse alívio temporário permitia que Estados‑membros suspendessem a recolha de impressões digitais e o reconhecimento facial em situações excepcionais, para tentar descongestionar as fronteiras.

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Agora, com o término dessas regras transitórias, associações e operadores do setor das viagens pedem que a flexibilidade seja prorrogada além de setembro. O receio é claro: sem essa margem, os viajantes podem voltar a enfrentar atrasos longos, noites perdidas em aeroportos e o desgaste de uma experiência de viagem interrompida.

Em julho, a Airports Council International (ACI) relatou que os tempos de espera chegaram a cinco horas em alguns pontos, e aeroportos como os de Lisboa, Milão, Roma e Cracóvia sentiram especialmente o peso da temporada intensa. O retrato do caos tem causas concretas: quiosques avariados, falta de pessoal e problemas técnicos gerais no sistema. É a combinação amarga de tecnologia e logística que falha quando mais precisamos dela.

Do lado das companhias aéreas, vozes fortes como a da Ryanair têm sido críticas desde a introdução do EES, em outubro do ano passado. Neal McMahon, diretor de operações, não hesitou: “a forma como a UE geriu o EES foi um fiasco do princípio ao fim”. Ele defende que a Comissão Europeia prolongue a flexibilidade pelo menos até abril de 2027, argumentando que “os passageiros não devem ser obrigados a pagar o preço do fracasso da implementação do EES pela UE”.

Na mesma cadência, Matthew Pack, diretor executivo da Holiday Extras, afirmou com veemência que os sistemas de fronteira «falharam» e que, na prática, existe uma fronteira oficial — onde o EES supostamente funciona — e outra, real, onde turistas enfrentam filas aplicadas de forma irregular pelos guardas. “Um sistema que precisa de tanta improvisação silenciosa para funcionar não está pronto”, afirmou Pack, pedindo um recuo honesto e uma reconstrução adequada.

Do outro lado do balcão institucional, a Comissão Europeia tentou acalmar os ânimos. Um porta‑voz declarou que, no essencial, o sistema funcionou bem durante o verão e recordou que, até 6 de setembro, havia a possibilidade de suspender temporariamente o registo de dados biométricos em circunstâncias excecionais. A Comissão também afirmou estar em contacto estreito com os poucos Estados‑membros mais afetados para mitigar os efeitos.

Enquanto Bruxelas, companhias aéreas e autoridades debatem soluções, nós, viajantes, guardamos na memória a sensação opressiva das filas e a esperança de um serviço que nos permita, uma vez mais, saborear a viagem — o Dolce Far Niente antes do embarque. Andiamo com atenção: que venham respostas práticas e rápidas para que a luz dourada de um pôr‑do‑sol romano não seja lembrada apenas como o fundo de uma longa espera na fila.

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