Roma celebra Pontormo: o gênio inquieto do Manierismo ganha nova reverência

Roma celebra Pontormo: exposição destaca o gênio inquieto do Manierismo, sua cor, forma e influência em Pasolini e Bill Viola.

Roma celebra Pontormo: o gênio inquieto do Manierismo ganha nova reverência

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Roma celebra Pontormo: o gênio inquieto do Manierismo ganha nova reverência

Ciao, viajante dos sentidos — sou Erica Santini, e convido você a saborear a história deste encontro entre luz, cor e inquietude. Roma volta seus olhos para Pontormo, o artista que desconcertou e encantou o seu tempo, e cuja obra segue a pulsar com uma intensidade quase musical. A capital italiana acolhe uma celebração dedicada ao mestre do Manierismo, uma ocasião para mergulhar na textura do tempo que permanece nas paredes das pinturas.

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Não é casual que Pier Paolo Pasolini, em seu curta La Ricotta (1963), tenha recriado em tableau vivant o Trasporto di Cristo (1526-1528) de Jacopo da Pontormo, citando também la Deposizione dalla Croce di Rosso Fiorentino (1521). Na tela, Pasolini encontrou ressonâncias visuais e emocionais entre o drama sacro e a precariedade existencial das figurazioni umane: era uma forma de ver, sentir e repensar o sacro através dos rostos dos corpi 'ultimi'.

A corrente do tempo prossegue: décadas depois, o videoartista Bill Viola — cujo trabalho The Greeting (1995) encantou o mundo até sua morte em 2024 — inspirou-se diretamente na Visitazione pintada por Pontormo entre 1528 e 1532. Viola foi literalmente arrebatado pela vivacidade cromática e pela composição audaz da pintura, transformando a emoção plasmada em pigmento em movimento lento e transcendente.

Por que essa atração que atravessa séculos? Porque Pontormo foi um inquieto: recusou a fórmula clássica renascentista, experimentou posições, cores e espaços que hoje lemos como preâmbulos do moderno. Seu gesto pictórico não apenas rompeu com convenções formais, mas também criou um léxico emocional — faces alongadas, cores quase elétricas, vazios que dizem tanto quanto as figuras. É um convite ao Dolce Far Niente contemplativo, mas também a uma intensa atenção sensorial.

Quem visita Roma nessa temporada encontrará na celebração um percurso que revela tanto o artista em sua singularidade quanto as reverberações que sua paleta e sua coragem formal provocaram nas artes visuais e além — do cinema à videoarte. A mostra, comissariada para dialogar com o presente, propõe uma viagem: atravessar as obras é como caminhar por ruas onde a luz muda e, a cada esquina, um novo acorde cromático nos chama.

Andiamo: deixe-se tocar pela cor. Permita-se sentir o perfume dos pigmentos, a textura do tempo nas superfícies, a luz que modela as emoções. Em cada quadro de Pontormo há um segredo local — uma intimidade pictórica que faz da contemplação uma forma de hospitalidade sofisticada. Roma celebra, e nós somos convidados a ouvir essa música pictórica, a reconhecer como o passado nos encara e nos transforma.

Se você ama a história da arte, a sensação de descoberta e a beleza que não se desvanece, essa celebração é um pequeno grande rito: um encontro com o gênio inquieto que continua a ensinar-nos a ver — e a sentir — de maneira nova.

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