La La Land renasce na Fenice: Chazelle e Hurwitz transformam Veneza num sonho ao vivo

Damien Chazelle retorna a Veneza: La La Land é exibido na Fenice com trilha de Justin Hurwitz executada ao vivo pela Filarmonia Veneta.

La La Land renasce na Fenice: Chazelle e Hurwitz transformam Veneza num sonho ao vivo

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La La Land renasce na Fenice: Chazelle e Hurwitz transformam Veneza num sonho ao vivo

Dez anos após a première mundial no Lido, La La Land retornou à Veneza para uma noite que misturou memória, espetáculo e reinterpretação sonora. O cineasta Damien Chazelle voltou à cidade que acolheu o filme pela primeira vez e acompanhou sua obra ganhar uma nova dimensão: a projeção integral das imagens acompanhada ao vivo pela trilha de Justin Hurwitz no histórico Teatro La Fenice.

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‘Aqui tudo é um sonho, o teatro é uma maravilha e a orquestra foi fantástica, incrível’, disse Chazelle ao fim da apresentação, ainda visivelmente emocionado. A sessão — sem intervalo e com cerca de duas horas e meia de duração — colocou lado a lado as cenas de Mia e Sebastian e a presença física dos músicos: a Orquestra Regional Filarmonia Veneta e o coro, sob a batuta do próprio Hurwitz, tornaram palpável o roteiro oculto de afetos e escolhas que o filme narra.

Para quem cresceu vendo o musical como um espelho do nosso tempo, a experiência funcionou como um reframe da realidade: a partitura, que há dez anos ajudou a transformar o filme num fenômeno global, reapareceu com nuances que somente a execução ao vivo pode oferecer. O pianista Randy Kerber, responsável pelas partes pianísticas na gravação original e peça-chave na construção musical do personagem Sebastian (interpretado por Ryan Gosling), voltou ao instrumento, estabelecendo um fio direto entre a memória fonográfica e a urgência do presente.

Hurwitz confessou, num gesto quase reverente, que poderia passar a noite contemplando a arquitetura do teatro. Não era só louvor estético: era a constatação de como um lugar — com sua acústica, ornamentos e história — pode alterar a recepção de uma obra. E La Fenice, por uma vez, funcionou como espelho e moldura, amplificando o efeito emocional das imagens projetadas.

Emma Stone e Ryan Gosling, cujas performances deram rosto e voz aos sonhos do filme, viraram figuras ainda mais tragicamente humanas quando escutadas ao vivo. A presença do coro e a respiração coletiva do palco reintroduziram tensões e pequenos gestos que o fôlego mecânico de uma trilha gravada não pode reproduzir.

Para Chazelle, eventos como esse têm um caráter celebrativo e também pedagógico: mostram que o cinema não é apenas imagem em movimento, mas um encontro de temporalidades — imagem, som ao vivo, público e espaço — que redesenha o significado original. É também uma lembrança de que grandes obras continuam a viver ao se deixarem tocar por novas formas de apresentação.

Ao sair da Fenice, o público não levava apenas lembranças de cenas e músicas, mas a sensação de ter participado de um pequeno rito cultural: o encontro entre uma cidade, sua tradição teatral e um filme que, mesmo ao completar uma década, se permite renascer. Essa é a beleza de revisitar obras no palco do presente: descobrir que o roteiro do passado ainda pode nos ensinar algo sobre o futuro.

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