Bin Zayed avisou Netanyahu sobre o plano de ataque de Hamas para 7 de outubro, revelam investigações

Investigação revela que Mohammed bin Zayed teria avisado Netanyahu sobre plano de ataque de Yahya Sinwar para 7 de outubro de 2023.

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Bin Zayed avisou Netanyahu sobre o plano de ataque de Hamas para 7 de outubro, revelam investigações

Uma investigação jornalística publicada em Haaretz e trechos de um novo livro do repórter Shlomi Eldar sugerem que o emir de Abu Dhabi, Mohammed bin Zayed, teria alertado pessoalmente o primeiro‑ministro israelense Benjamin Netanyahu sobre um ataque que estava sendo preparado por Yahya Sinwar para o dia 7 de outubro de 2023. A revelação traz à superfície um complexo tabuleiro diplomático que antecedeu a ofensiva e as negociações secretas em torno dos 251 reféns levados naquele episódio.

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Segundo as fontes anônimas citadas por Haaretz, a sequência de avisos decorre de conversas mantidas em setembro de 2023 entre Sinwar e um intermediário palestino conhecido pelo apelido de "Olhos Negros" (Occhi neri). Trata‑se, conforme descrevem as apurações, de um dirigente vinculado à Fatah, com fluência em hebraico e canais de interlocução tanto com o Hamas quanto com o serviço de segurança interna israelense, o Shin Bet. Do diálogo entre Sinwar e este intermediário teria saído a mensagem de que, se as tratativas não avançassem, viria um "terremoto" (zilzalin).

Naquele momento, o governo de Netanyahu — empossado no fim de 2022 — conduzia negociações secretas visando uma hudna, um acordo de tréguas que incluiria a redução gradual do bloqueio sobre Gaza, a criação de uma zona industrial no norte da Faixa, a ampliação de permissões de trabalho para palestinos e até a possibilidade de fornecimento de gás. O pacto deveria ser selado com a libertação de dois civis israelenses com vida e dos corpos de dois soldados, em troca da soltura de 30 prisioneiros palestinos, entre eles 20 condenados à prisão perpétua.

As negociações, porém, estagnaram em agosto de 2023, quando a convocação da comissão ministerial necessária para aprovar as liberações foi adiada. No início de setembro, relata a investigação, Sinwar suspendeu os contatos e, por meio do intermediário, transmitiu a ameaça de ação caso o processo não prosseguisse. Esse recado foi levado primeiramente ao círculo de bin Zayed, por intermédio do conselheiro palestino do emir, figura que a apuração vincula ao perfil de Mohammad Dahlan.

Em 15 de setembro de 2023, o conselheiro transmitiu o aviso ao Shin Bet, cujo chefe informou Netanyahu e convocou uma reunião de segurança em 17 de setembro recomendando uma ação enérgica para neutralizar Sinwar. A decisão foi adiada depois que Netanyahu solicitou a apresentação de um plano operacional detalhado. Já no final de setembro — cerca de dez dias antes do ataque —, segundo as fontes, Mohammed bin Zayed teria telefonado diretamente a Netanyahu para reiterar a preocupação. Na mesma semana, o chefe da inteligência egípcia, general Abbas Kamel, também alertou sobre movimentos incomuns do Hamas.

O conjunto de avisos e a hesitação em tomar uma medida decisiva desenham, em termos estratégicos, um momento em que os alicerces da diplomacia revelaram-se frágeis: múltiplos sinais foram percebidos e transmitidos através de canais regionais, mas a convergência entre informação e decisão final não ocorreu. Como num grande tabuleiro de xadrez, as peças moveram‑se com prudência e cálculo — e o vácuo entre alerta e ação tornou‑se um espaço crítico onde se reconfigurou a tectônica de poder na região.

Essa narrativa não resgata somente datas e telefonemas; ela ilumina a arquitetura dos mecanismos de intermediação que, nas vésperas do conflito, tentavam produzir uma tréguas duradoura e, simultaneamente, expõe os riscos inerentes a atrasos nas decisões em cenários de alta densidade informativa. A investigação contínua e a publicação do livro de Eldar prometem aprofundar a compreensão dos bastidores que antecederam um dos episódios mais dramáticos da recente história do conflito israelo‑palestino.

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