Pezeshkian em Nova Delhi: movimento estratégico do Irã no tabuleiro BRICS e tensões no Estreito de Bab el‑Mandeb

Pezeshkian chega a Nova Delhi para o BRICS em meio a tensões Irã‑EUA; Houthis avançam em Perim e AIEA remete caso nuclear ao Conselho de Segurança.

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Pezeshkian em Nova Delhi: movimento estratégico do Irã no tabuleiro BRICS e tensões no Estreito de Bab el‑Mandeb

Por Marco Severini — Em um movimento que descrevo como mais um lance no grande tabuleiro da geopolítica, o presidente iraniano Massoud Pezeshkian desembarcou em Nova Delhi para participar do cúpula do fórum BRICS. A chegada, registrada por emissoras indianas, ocorre em um momento de renovada tensão entre o Irã e os Estados Unidos, com múltiplas frentes diplomáticas e militares em aberto.

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Trata‑se da primeira visita oficial de Pezeshkian à Índia. Fontes diplomáticas indianas indicam que o presidente será recebido no final da tarde pelo primeiro‑ministro Narendra Modi para um encontro bilateral que, à primeira vista, pode parecer meramente protocolar. No entanto, no contexto atual — marcado por deslocamentos de poder e pela necessidade de construir alicerces estratégicos — a reunião adquire perfil de cálculo prudente: consolidar posições no eixo Ásia‑Índia enquanto se negocia estabilidade em outras frentes.

No teatro do Mar Vermelho, duas fontes do governo yemenita confirmaram à Reuters que as forças governamentais se retiraram da ilha de Perim, localizada no estratégico estreito de Bab el‑Mandeb. O controle da ilha e da cidade portuária de Dhubab, situada defronte, é vital para quem almeja dominar essa passagem marítima. Relatos indicam que combatentes Houthi entraram em Dhubab na manhã de sexta‑feira, reforçando a percepção de um lento redesenho de fronteiras invisíveis no corredor que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Aden.

Em paralelo, surgem tentativas de reativar canais diplomáticos. Segundo o jornal Haaretz, com base em agências internacionais, o ministro das Relações Exteriores iraniano Abbas Araghchi e o chefe do Exército paquistanês, Asim Munir, discutiram por telefone a oportunidade de restaurar esforços para reduzir tensões entre Teerã e Washington. A conversa centrou‑se na conflagração mais ampla envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irã, além dos recentes ataques dos Houthi à Arábia Saudita, um fenómeno que tem implicações diretas sobre as rotas comerciais e a segurança regional.

No plano multilateral, a missão iraniana junto às organizações em Viena emitiu uma dura reação à decisão do Conselho de Governadores da AIEA de remeter a questão nuclear iraniana ao Conselho de Segurança da ONU. A resolução — apresentada por Reino Unido, França, Alemanha e Estados Unidos e aprovada por 23 votos a favor, 3 contra e 8 abstenções — foi qualificada em Teerã como um instrumento político que ultrapassa a natureza técnica que, na visão iraniana, deveria nortear a agência.

Reza Najafi, embaixador do Irã junto à AIEA em Viena, declarou em entrevista à CGTN que a agência deveria concentrar‑se em tarefas técnicas, evitando tornar‑se uma ferramenta de agendas políticas externas. Sobre a possibilidade de retaliação, Najafi foi cauteloso: ‘Avaliaremos os efeitos concretos desta resolução e reagiremos conforme a nossa avaliação’, disse, sem, contudo, adiantar medidas específicas.

Estamos diante de uma tectônica de poder que combina diplomacia de alto risco, pressão institucional e controvérsias no controle de corredores marítimos estratégicos. A presença de Pezeshkian em BRICS e os simultâneos episódios no Bab el‑Mandeb compõem um mosaico no qual cada movimento político e militar é um lance calculado — nem sempre visível — que pode redesenhar equilíbrios regionais e influenciar o panorama global.

Como analista, observo que a solução exigirá paciência estratégica e coalizões diplomáticas pragmáticas. No tabuleiro que une Ásia, Oriente Médio e instituições internacionais, a estabilidade dependerá da capacidade dos atores em confluir interesses, evitar escaladas diretas e preservar as linhas vitais de comércio e comunicação internacional.

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