Matthew Modine lembra 11 de setembro: 'Um dia terrível que prefiro não recordar'

Matthew Modine recorda o 11 de setembro no Festival de Veneza: 'Foi um dia terrível, e eu não quero lembrar'. Uma reflexão sobre memória e cinema.

Matthew Modine lembra 11 de setembro: 'Um dia terrível que prefiro não recordar'

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Matthew Modine lembra 11 de setembro: 'Um dia terrível que prefiro não recordar'

Por Chiara Lombardi — Em uma fala breve e carregada de memória no Lido de Veneza, o ator Matthew Modine, eternizado como o soldado 'Joker' em Full Metal Jacket de Stanley Kubrick, revisitou um dos marcos mais dolorosos do nosso tempo: o atentado às Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2001. Interceptado durante a apresentação do documentário 'Be Brave' — obra realizada com o uso de IA e dedicada ao empresário Renzo Rosso — Modine resumiu o que permanece como uma cicatriz coletiva: 'Foi um dia terrível, e eu não quero lembrá-lo'.

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O ator explicou que, na data do atentado, morava em Nova York e se encontrava no Greenwich Village. A lembrança, disse ele, é emocionalmente excessiva: 'Um dia triste', acrescentou, voltando o pensamento para as vítimas e para as famílias que carregam essa ausência. 'Estamos aqui em Veneza para celebrar os filmes e o cinema; que Deus abençoe todos aqueles que não estão mais conosco', completou.

Há algo de teatral no modo como lembranças traumáticas entram e saem dos nossos roteiros pessoais. Como analista cultural, vejo a declaração de Modine como uma pausa — um corte de cena — que lembra que o entretenimento não existe em vácuo. O ator que interpretou um marine sardônico em uma fábula anti-bélica carrega, lado a lado, a experiência íntima de uma metrópole transformada pela violência. É o eco de um evento que reescreveu a geografia emocional da cidade e do planeta.

O encontro em Veneza, cidade que é ao mesmo tempo arquivo e projeção, funcionou como um pequeno altar público: por um lado, um documentário sobre coragem e criação no contexto de design e indústria; por outro, a lembrança contida e respeitosa de um ator que prefere não revisitar abertamente a dor. Há uma tensão produtiva aí — entre a vontade de celebrar o cinema como refúgio e a responsabilidade de não neutralizar a gravidade histórica do que foi perdido.

Em termos simbólicos, o que Modine verbaliza é a resistência à espetacularização do trauma. A imagem das Torres Gêmeas tornou-se, ao longo das décadas, um ícone polissêmico: monumento da vulnerabilidade urbana, símbolo político e, por vezes, moeda visual em narrativas que buscam significado. Para um artista cuja fama cresceu em filmes que exploram a violência e a memória, a recusa em 'recordar' é também um gesto ético — um filtro que protege a humanidade dos desaparecidos contra o reducionismo do espetáculo.

Em resumo, a declaração de Matthew Modine no festival não é apenas uma recordação pessoal: é um lembrete da responsabilidade do cinema e dos artistas diante da história. Celebramos filmes em Veneza, mas carregamos, como um negativo fotográfico, as imagens que não queremos ver repetidas. E, talvez, como em qualquer grande roteiro, a pausa para o silêncio diga mais do que milhões de palavras.

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