Putin afirma que Kushner e Witkoff são bem-vindos; Moscou acelera ofensiva e avisa sobre alvos na Ucrânia
Putin diz que Kushner e Witkoff são bem-vindos; Moscou acelera ofensiva na Ucrânia e admite alvos militares; APEC pode reunir Putin, Trump e Xi.
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Putin afirma que Kushner e Witkoff são bem-vindos; Moscou acelera ofensiva e avisa sobre alvos na Ucrânia
No palco diplomático de Bishkek, à margem da cúpula da Organização para a Cooperação de Xangai (SCO), o presidente Vladimir Putin fez declarações que desenham, com linhas firmes, a nova configuração da tectônica de poder euro-asiática. Em tom reservado e estratégico, Putin afirmou que o empresário Steve Witkoff e o genro do presidente norte-americano, Jared Kushner, "são sempre bem-vindos" na Rússia e que Moscou está disposta a cooperar com eles.
Do mesmo fórum, o presidente russo também traçou o mapa operacional que pretende ver executado no terreno. Segundo Putin, as tropas russas "estão acelerando o ritmo da sua ofensiva" na zona daquilo que Moscou denomina "operação militar especial". "As tropas russas, a despeito de tudo, estão intensificando o ritmo da sua ofensiva na zona da operação militar especial. Não se limitam a avançar, mas aceleram a cadência", declarou o líder russo aos jornalistas no Quirguistão.
Putin acrescentou que as forças russas estariam a "libertar" de forma constante e conforme os planos a República Popular de Donetsk (RPD). Em termos claros e de Realpolitik, sublinhou que "qualquer estrutura militar na Ucrânia é um nosso objetivo legítimo. As britânicas, ou qualquer outra".
O teor das afirmações revela um movimento decisivo no tabuleiro: não se trata apenas de projeção militar, mas de reafirmação de critérios sobre o que Moscou considera legítimo em termos de alvos. É uma retórica calculada para moldar expectativas e tentar redesenhar fronteiras invisíveis da permissividade internacional.
Enquanto isso, do lado ocidental, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, advertiu que sem diálogo será impossível alcançar um acordo sobre o conflito. "Se as partes não iniciarem um diálogo, não será possível chegar a um acordo sobre o conflito na Ucrânia", afirmou Bessent à margem de reunião ministerial do G20 em Asheville. A observação sublinha a preocupação de Washington com a escassez de canais diplomáticos eficazes, ainda que o xadrez diplomático pareça, por ora, desenhado por jogadas unilaterais.
Em tom igualmente duro, Putin qualificou as declarações do presidente ucraniano sobre voos civis como "uma aplicação do terrorismo de Estado", referindo-se às queixas de que o espaço aéreo russo estaria se tornando "completamente inseguro". O Kremlin advertiu que "responderá" a ameaças do componente aéreo ucraniano e insistiu: "Não se negocia com terroristas".
Num movimento que pode redesenhar o mapa das cúpulas globais, Moscou já discute a hipótese de um encontro trilateral entre Putin, o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping, durante a próxima cúpula da APEC na China. A possibilidade foi relatada por fontes citadas pela RBC-Ucraina e confirmada pelo assessor de Putin, Yuri Ushakov, que conversou com o jornalista Pavel Zarubin. Avalia-se tanto a alternativa de um encontro a três quanto de bilaterais separadas, na anfitriã Xangai.
Em suma, os últimos pronunciamentos do Kremlin e as respostas ocidentais configuram um quadro de intensificação das hostilidades e de tensão diplomática. Em termos estratégicos, trata-se de um jogo de proximidades e afastamentos: a arquitetura clássica da política externa russa demonstra, mais uma vez, uma combinação de força e tentativa de negociação seletiva — movimentos que redefinem linhas e espaços de influência neste tabuleiro global.

