Irã: gêmeas Taraneh e Romina Rahimi presas e espancadas — uma pode ser executada por enforcamento

Gêmeas iranianas Taraneh e Romina Rahimi foram presas e espancadas; Taraneh enfrenta execução por enforcamento, Romina 25 anos de prisão.

Irã: gêmeas Taraneh e Romina Rahimi presas e espancadas — uma pode ser executada por enforcamento

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Irã: gêmeas Taraneh e Romina Rahimi presas e espancadas — uma pode ser executada por enforcamento

Por Marco Severini — Em mais um movimento que altera o tabuleiro da tensão interna no Irã, reapareceu nas redes sociais a notícia sobre o destino de duas jovens que haviam desaparecido durante a grande onda de protestos contra o regime. As irmãs gêmeas Taraneh e Romina Rahimi, então com 19 anos e estudantes de ensino médio, foram detidas em janeiro de 2026. Hoje, o panorama é dramático: Taraneh foi condenada à execução por enforcamento, enquanto Romina recebeu uma pena de 25 anos de prisão.

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A divulgação do caso foi impulsionada por reportagens do The Guardian e por alerta da diáspora iraniana no exterior, a partir do depoimento de um primo residente nos Estados Unidos. A história das gêmeas é, infelizmente, um microcosmo da repressão que acompanhou as manifestações daquele mês — episódios que organizações de direitos humanos internacionais estimaram em até 30 mil vítimas, contra a cifra oficial de 3.000 reconhecida pelas autoridades.

Segundo relatos obtidos pela família e compilados pelo jornal britânico, entre as noites de 8 e 9 de janeiro de 2026, homens encapuzados identificados posteriormente como membros do Corpo da Guarda Revolucionária invadiram as residências em Isfahan e levaram as duas irmãs. Durante meses a mãe, Marzieh Nourmohammadi, buscou respostas junto a hospitais e órgãos estatais sem sucesso, até localizá-las no presídio de Dowlatabad.

A visita permitida em maio revelou um quadro horrível: as jovens, mantidas em isolamento, exibiam rostos severamente inchados e hematomas generalizados; tinham pés quebrados, ferimentos nos cotovelos e nas articulações das mãos, e perda substancial de cabelo atribuída a agressões que incluíam puxões e arrastos de uma cela para outra. Há ainda a alegação — mencionada pelo Guardian — de que Taraneh teria sido ameaçada de ver a irmã estuprada em sua presença caso não confessasse.

Se a sentença de Taraneh for efetivada, ela se tornará a primeira mulher executada em conexão direta com as manifestações de 2026 — um precedente cujo impacto simbólico atravessa fronteiras e reacende críticas internacionais sobre a violação dos direitos humanos na República Islâmica.

Do ponto de vista geopolítico, o episódio tem consequências múltiplas. Enquanto Teerã concentra-se em confrontos e retórica contra os Estados Unidos e Israel, o Estado interno experimenta uma tensão tectônica entre a manutenção da ordem revolucionária e a erosão dos alicerces de legitimidade social. A repressão às mulheres, sobretudo quando encarnada em medidas tão extremas como uma execução, funciona como um movimento decisivo no tabuleiro — capaz de radicalizar a oposição, energizar exílios e atrair maior escrutínio internacional.

Esta narrativa retorna a memórias dolorosas: remete ao outono de 2022 e à morte de Mahsa Amini, que desencadeou protestos amplos e duradouros contra o controle do corpo e da liberdade feminina na República Islâmica. A persistência de práticas punitivas severas, agora possivelmente culminando na pena capital, revela a continuidade de uma estratégia de intimidação que busca dissuadir dissidência, mas que também fragiliza, a médio prazo, a posição externa do regime.

Em termos humanitários, exige-se atenção imediata: verificação independente das alegações, pressão diplomática para acesso consular e o monitoramento por organismos internacionais sobre a legalidade dos processos e das condições de detenção. No xadrez da diplomacia, cada peça humana sacrificada altera o jogo; a execução de uma jovem por envolvimento em protestos é um lance que a comunidade internacional não pode ignorar.

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