Sánchez acusa redes russas e israelenses de disseminar desinformação sobre Ceuta
Sánchez acusa redes russas e israelenses de disseminar desinformação sobre a chegada massiva de migrantes a Ceuta e detalha números e cooperação com Marrocos.
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Sánchez acusa redes russas e israelenses de disseminar desinformação sobre Ceuta
Por Marco Severini — Em tom grave e com a precisão estratégica de quem lê o tabuleiro internacional, o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, denunciou que redes russas e israelenses propagaram uma narrativa falsa sobre a crise migratória em Ceuta. Em entrevista à Cadena Ser, Sánchez afirmou que se difundiu a mentira de que «se se entrava a nado na cidade autónoma de Ceuta, era impossível o repatriamento na fronteira», informação que classificou como inverídica e manipulada.
O chefe do executivo madrileno explicou que houve «uma deturpação de uma sentença do Tribunal Supremo», cuja interpretação errónea circulou massivamente nas redes sociais por meio de notícias falsas e até de organizações criminosas. Para Sánchez, há uma coordenação entre essa desinformação e uma «internacional da ultradireita» que instrumentaliza a migração para atacar a Espanha e fragmentar a unidade europeia.
Recordando os factos, o líder socialista apresentou um quadro operativo: «Nos dias 30 e 31 de julho entraram na cidade autónoma de Ceuta cerca de 70.000 pessoas, das quais 9 em cada 10 regressaram ao Marrocos. Restam aproximadamente 5.000 pessoas, das quais 1.500 são menores». Sánchez sublinhou que o desafio imediato é identificar, fazer triagem e proceder aos retornos ou à resolução dos pedidos de asilo, exigindo a relocação temporária em centros de acolhimento.
Quanto à capacidade de recepção, o primeiro-ministro detalhou que os 500 lugares anteriores foram ampliados para 3.300 e que, «graças ao acordo fechado com a cidade autónoma», o total será elevado a 6.000. Os retornos voluntários para o Marrocos «continuam» e, até 10 de agosto, 3.222 pessoas tinham regressado voluntariamente, afirmou Sánchez.
Sobre as causas do movimento em massa, o presidente do governo deixou claro que as investigações prosseguem e que, até ao momento, não há indícios provenientes dos serviços de informação com os quais Madrid colabora que apontem responsabilidade direta das autoridades marroquinas no relaxamento dos controlos fronteiriços. «Nenhumo dos serviços de inteligência levantou o mínimo sobrerl a participação, de uma forma ou outra, das autoridades marroquinas», disse Sánchez, reforçando que as ações do Governo devem pautar-se por dados verificáveis.
O papel de Rabat merece destaque na narrativa: o Marrocos ofereceu «cooperação instantânea, imediata» e as comunicações entre Rabat e Madrid foram constantes nos dias críticos de 30 e 31 de julho. Sánchez lembrou que «a 31 de julho começou o desdobramento operativo das autoridades marroquinas» para facilitar os regressos.
Do ponto de vista estratégico, esta ofensiva informativa revela a nova tectônica do poder: ataques seletivos às instituições e à informação pública procuram redesenhar fronteiras invisíveis, minando a confiança nas decisões judiciais e nas respostas estatais. A gestão da crise em Ceuta não é apenas um problema humanitário ou logístico; é, sobretudo, um movimento decisivo no tabuleiro geopolítico, onde narrativas falsas podem ser peças tão danosas quanto qualquer manobra fronteiriça.
Em suma, Madrid reivindica transparência e cooperação internacional enquanto desarma, com factos e capacidade operacional, a ofensiva de desinformação que tentou transformar um episódio concreto em crise permanente.

