Por que os livros escolares estão cada vez mais caros: 10 razões apontadas pela Antitrust
Antitrust identifica 10 causas do aumento do custo dos livros escolares: pouca concorrência, licenças digitais e apoio público insuficiente.
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Por que os livros escolares estão cada vez mais caros: 10 razões apontadas pela Antitrust
Por Giulliano Martini — A investigação da Autorità Garante per la Concorrenza e il Mercato, iniciada em 2024 e concluída em dezembro de 2025, identificou um conjunto de fatores que explicam por que as famílias italianas enfrentam um custo dos livros cada vez mais elevado. O portal Skuola.net compilou os achados em dez pontos essenciais. Não se trata de um caso de má-fé identificado pela autoridade — não há um único culpado declarado — mas de uma série de práticas e estruturas de mercado que, somadas, oneram os lares.
Dados de contexto: o mercado dos livros escolares vale cerca de 800 milhões de euros no segmento novo, aos quais se somam aproximadamente 150 milhões gerados pelo mercado do usado. A despesa média apontada é de 580,75 euros para completar o ciclo das escolas médias e de 1.250,43 euros para concluir o ciclo das superiores. A Antitrust encaminhou uma segnalazione formal a diversos atores institucionais, incluindo o MIM, com recomendações de intervenção e supervisão.
A seguir, o raio-x dos dez motivos que explicam o fenômeno.
- Famílias sustentam o setor: o financiamento do mercado recai em grande parte sobre as famílias. A autoridade considera inadequado que o apoio ao setor seja essencialmente privado quando existem instrumentos públicos alternativos já utilizados em outras áreas editoriais.
- Concentração editorial e pouca concorrência: um número limitado de grupos editoriais domina o mercado escolar, reduzindo pressões competitivas que normalmente ajudam a conter preços.
- Docentes com poder de escolha sem controle: professores determinam quais obras adotar para turmas e disciplinas sem mecanismos sistemáticos de verificação das motivações pedagógicas ou da razoabilidade do custo para as famílias.
- Novas edições frequentes: alterações curriculares e práticas de atualização quase anual geram novas edições, limitando a vida útil dos livros antigos e forçando compras repetidas.
- Licenças digitais e barreiras ao reuso: a transição para conteúdos digitais por meio de licenças limita a revenda e o empréstimo, enfraquecendo o mercado do usado e do comodato (empréstimo institucional ou entre famílias).
- Comércio do usado restrito: regras, formatos diferentes entre edições e a presença de conteúdos digitais vinculados a códigos ativáveis reduzem significativamente o apelo e a disponibilidade de exemplares de segunda mão.
- Embalo em volumes e pacotes: a prática de agrupar cadernos, manuais e materiais auxiliares em pacotes dificulta a comparação de preços e a compra apenas do necessário.
- Custos logísticos e de produção: apesar da digitalização parcial, os livros continuam majoritariamente em papel e em múltiplos volumes, com impacto direto no preço final e no esforço físico dos estudantes.
- Falta de instrumentos públicos direcionados: ao contrário de outros setores, não houve até agora mecanismos fiscais e incentivos suficientemente calibrados para aliviar o peso sobre as famílias.
- Transparência insuficiente: informações fragmentadas sobre preços de referência, descontos e condições de licença impedem escolhas informadas por parte das famílias e das escolas.
Conclusão prática da autoridade: não há um escândalo de corrupção a ser denunciado, mas existe um problema estrutural. A Antitrust propõe intervenções de supervisão e políticas públicas para ampliar a concorrência, promover transparência, proteger o mercado do usado e garantir que o ônus financeiro não recaia desproporcionalmente sobre as famílias.
Para as famílias, o calendário é um fator crítico: a introdução de novas indicações nacionais em 1ª série da primária e da média incentiva a produção em massa de novas edições, tornando setembro um mês especialmente sensível para os orçamentos domésticos. A mensagem da investigação é clara e técnica: é preciso ação institucional coordenada para reduzir custos sem comprometer a qualidade pedagógica.
Assinado, Giulliano Martini — reportagem baseada em análise da Autorità Garante per la Concorrenza e il Mercato e compilação do portal Skuola.net.

