Madonnari do mundo pintam Assisi em homenagem a São Francisco: espetáculo de giz e poesia

Mais de 50 madonnari de todo o mundo criam obras em Assisi até 30/08, em homenagem a São Francisco, com peça coletiva de 50m² por Kurt Wenner.

Madonnari do mundo pintam Assisi em homenagem a São Francisco: espetáculo de giz e poesia

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Madonnari do mundo pintam Assisi em homenagem a São Francisco: espetáculo de giz e poesia

Por Erica Santini — Em uma manhã dourada que parecia feita para um afresco, mais de cinquenta Madonnari de várias partes do mundo desembarcaram em Assisi com pastéis, gessos coloridos e sombrinhas para proteger o trabalho do sol. O cenário? A praça inferior da Basílica de San Francesco, onde o público, entre turistas e devotos, observou maravilhado o nascimento de obras efêmeras que celebram o centenário franciscano.

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Intitulada "Francesco nell'arte dei Madonnari", a iniciativa segue até 30 de agosto de 2026 e foi organizada pelo Comune di Assisi, em colaboração com o Sacro Convento e com a Antichissima Fiera delle Grazie di Curtatone. É um encontro que mistura devoção, tradição e a leveza do gesto artístico: mãos que desenham sobre a pedra, cores que surgem como música visual, e o cheiro de giz no ar — um convite ao Dolce Far Niente contemplativo.

Dois formatos ocupam a praça: uma obra coletiva monumental de 50 metros quadrados, idealizada por Kurt Wenner — artista americano reconhecido como pioneiro da arte de rua tridimensional e diretor artístico do evento — e quarenta criações individuais inspiradas na figura do Poverello. Doze artistas, entre os mais experientes do circuito internacional, trabalham em conjunto para dar forma à peça coletiva, enquanto os demais produzem painéis que dialogam, cada um à sua maneira, com a vida e o legado de São Francisco.

A cena é ao mesmo tempo popular e sacra. Véus de luz percorrem as paredes de pedra, e a textura do tempo parece acariciar cada traço de giz. Visitantes se aproximam devagar, como quem não quer interromper uma prece; se inclinam, fotografam, e respiram a cor. Há um labor quase litúrgico: artistas que alternam sorrisos e concentração, trabalham de dia e de noite, abrigados por guarda-sóis, atentos ao sopro do vento que pode levar embora um fragmento de tinta.

Como curadora apaixonada por experiências autênticas, confesso que este tipo de encontro me toca pela sua simplicidade sofisticada: é arte de rua elevada à reverência, um gesto humano que transforma o chão sagrado de Assisi em tela temporária. Andiamo, diz a cidade — vamos nos permitir ser surpreendidos pelas histórias que se desenham aos nossos pés.

Para quem planeja uma visita: a programação segue até 30 de agosto, com obras sendo finalizadas e pequenas performances ao redor. Entre o som das conversas e o perfume dos vinhedos que paira na brisa, os Madonnari oferecem não só uma galeria a céu aberto, mas também um diálogo íntimo com a figura de São Francisco, convidando cada espectador a saborear a história e a beleza da tradição.

Se você estiver por perto, recomendo ir no final da tarde, quando a luz aquece as cores e a praça se transforma num palco onde a arte efêmera encontra a eternidade das pedras. Ciao, e que a leveza franciscana acompanhe seu passeio.

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