AIOM pede liberação imediata do uso compassivo de daraxonrasib para câncer de pâncreas
AIOM pede uso compassivo de daraxonrasib para câncer de pâncreas, após estudo RaSolute 302 mostrar duplicação da sobrevida em pacientes metastáticos.
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AIOM pede liberação imediata do uso compassivo de daraxonrasib para câncer de pâncreas
ROMA — Em um apelo que mistura urgência clínica e cuidado humano, a AIOM (Associação Italiana de Oncologia Médica) pediu que a farmacêutica Revolution Medicines inicie imediatamente um programa de uso compassivo do medicamento daraxonrasib para pacientes com câncer de pâncreas metastático já tratados.
O pedido se baseia nos resultados anunciados em junho, em Chicago, do estudo clínico RaSolute 302, que mostraram que a terapia alvo daraxonrasib chegou a dobrar o tempo de sobrevida em pacientes nessa condição. Para os oncologistas italianos, essa evidência é como uma luz tímida no inverno; é preciso dá-la aos doentes antes que a burocracia e as negociações de preço adiem aquilo que pode ser cuidado imediato.
Segundo Massimo Di Maio, presidente da AIOM, na Europa ainda não foi aberto nenhum programa de uso compassivo e não há notícias de submissão do dossiê registratório à EMA — a agência reguladora europeia. A ausência de um caminho formal para acesso pré-aprovação traz uma apreensão dupla: a urgência clínica dos pacientes e a possível influência de políticas de preço internacionais.
Di Maio alertou para o receio dos oncologistas de que este possa ser um caso emblemático do princípio da "nação mais favorecida" adotado nos Estados Unidos, que pode condicionar o preço dos medicamentos no mercado americano ao menor valor praticado em países com PIB per capita comparável, entre os quais se encontra a Itália. Em termos práticos, explica ele, isso pode tornar ainda mais complexas e lentas as negociações de preço pós-aprovação, impactando o acesso.
Enquanto isso, pacientes com câncer de pâncreas metastático — uma doença que costuma avançar com rapidez e poucas opções terapêuticas efetivas após as primeiras linhas de tratamento — aguardam alternativas que possam estender e qualificar a vida. Para os especialistas, acionar o mecanismo de uso compassivo significa abrir uma ponte temporária entre a evidência clínica emergente e a necessidade imediata dos doentes, sem substituir o processo regulatório, mas dando-lhe tempo para correr sem negar esperança.
O pedido da AIOM é, portanto, um apelo não apenas técnico, mas ético: que a empresa considere disponibilizar o daraxonrasib gratuitamente ou em condições especiais enquanto o processo de avaliação segue seu curso. É um convite para que a indústria e os reguladores cultivem, em conjunto, a colheita de cuidados que a sociedade exige nos momentos mais difíceis.
Do ponto de vista prático, os próximos passos incluem um diálogo entre Revolution Medicines, autoridades regulatórias europeias e associações médicas para definir protocolos de acesso, critérios de elegibilidade e mecanismos de monitoramento do uso compassivo. A comunidade oncológica italiana permanece vigilante, com a sensação de que há uma janela de oportunidade — e que, como nas estações, há momentos em que a ação imediata transforma o ciclo de vida de quem precisa.
Enquanto aguardamos respostas formais, a voz dos clínicos ecoa: oferecer a quem já sofreu tanto a chance de viver um pouco mais com qualidade é um gesto que combina ciência, compaixão e senso de responsabilidade coletiva.

