Saxônia-Anhalt nas urnas: a corrida da extrema-direita que inquieta a Alemanha e a UE

Eleições em Saxônia-Anhalt: AfD lidera pesquisas e acende alertas na Alemanha e na UE. Consequências políticas e econômicas à vista.

Saxônia-Anhalt nas urnas: a corrida da extrema-direita que inquieta a Alemanha e a UE

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Saxônia-Anhalt nas urnas: a corrida da extrema-direita que inquieta a Alemanha e a UE

Por Marco Severini — A poucos dias de uma votação que pode redesenhar um novo eixo de influência dentro da Alemanha, a região de Saxônia-Anhalt aparece no centro de um movimento político que exige leitura estratégica. As eleições regionais de 6 de setembro deixaram de ser um pleito local rotineiro: são um teste de resistência para as instituições alemãs e um alerta para a União Europeia.

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Pesquisa após pesquisa aponta a AfD (Alternative für Deutschland) com níveis de intenção de voto entre 40% e 42%, enquanto a CDU do chanceler Friedrich Merz figura distante, com estimativas entre 23% e 26%. No tabuleiro político, trata-se de um movimento que, se confirmado, constituirá um movimento decisivo — talvez até uma abertura para consolidação a nível federal.

É a primeira vez desde 1945 que um partido identificado com a extrema-direita se coloca com chance real de assumir a chefia de um Land. A AfD combina posições negacionistas sobre a crise climática, políticas anti-imigração, anti-Islã e um discurso eurocético que ataca a própria coesão do bloco europeu. Não se trata apenas de retórica de oposição: trata-se de uma plataforma com repercussões econômicas e diplomáticas tangíveis.

Os números traduzem uma ascensão contínua: a AfD saiu de 4,7% nas urnas de 2013 para 20,8% em 2025 no cenário nacional; no Parlamento Europeu aumentou de 7,1% e 7 assentos (2014) para 15,9% e 15 assentos (2024). A trajetória da formação política é clara — e a sua presença no centro do debate público tornou-se uma variável estrutural na política alemã.

O próprio chanceler Merz não dissimula a apreensão. Em entrevista à ARD, advertiu que a vitória da AfD traria um sério prejuízo à capacidade de atrair investimentos internacionais e poderia comprometer projetos industriais essenciais para o Land. Em termos de estratégia de Estado, é uma declaração que revela os alicerces frágeis da confiança externa quando forças populistas se aproximam do poder.

Há ainda episódios que polarizaram a opinião: dirigentes da AfD foram apontados por declarações que foram consideradas incompatíveis com os padrões democráticos; representantes vinculados ao partido também figuraram em escândalos de desrespeito aos ritos institucionais, como manifestações de falta de reverência no contexto da morte do então presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli.

Para o observador atento que privilegia uma leitura de longo prazo, essas eleições funcionam como uma peça num jogo de xadrez continental. Uma vitória local da AfD não será apenas simbólica; poderá acelerar movimentos de tectônica política, influenciar eleições subsequentes em outros Estados-membros e obrigar a UE a recalibrar respostas institucionais.

Resta à sociedade civil e aos atores políticos convencionais responder com estratégias que recuperem confiança institucional e ofereçam alternativas concretas: políticas econômicas críveis, discurso público responsável e uma diplomacia doméstica capaz de conter a erosão dos consensos fundadores. No tabuleiro do poder, os próximos lances em Saxônia-Anhalt serão observados com lupa por Berlim, Bruxelas e além.

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