Polônia prepara substituição do canone RTV por novo contributo audiovisual: impacto para milhões

Polônia propõe substituir o canone RTV por contributo audiovisual ligado ao contribuinte; impacto para milhões e cobrança via PIT prevista para 2027.

Polônia prepara substituição do canone RTV por novo contributo audiovisual: impacto para milhões

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Polônia prepara substituição do canone RTV por novo contributo audiovisual: impacto para milhões

Por Marco Severini — Em um movimento que redesenha, silenciosamente, as regras de financiamento da comunicação pública, a Polônia estuda substituir o atual canone radiotelevisivo (RTV) por um novo contributo audiovisivo. A proposta altera o princípio basilar que vincula o pagamento ao posse de um aparelho e estabelece, em vez disso, uma obrigação ligada à pessoa ou ao contribuinte — uma mudança de lógica que pode atingir milhões, inclusive aqueles sem televisor ou rádio.

Guia Italia + — O conteúdo continua após a publicidade.

Continuação do Conteúdo ↘

Até que a reforma seja aprovada, porém, vigorarão tarifas mais elevadas e controles administrativos reforçados, com sanções que podem superar 900 zl (cerca de 210 euros). Hoje, o sistema em vigor exige o pagamento com base no registro do equipamento: uma rádio custa 9,50 zl por mês (aprox. 2,20 €) e um televisor ou aparelho combo rádio-TV 30,50 zl por mês (aprox. 7,10 €), totalizando 366 zl anuais (cerca de 85 €).

O desenho proposto muda esse tabuleiro: o novo contributo audiovisual estaria atrelado diretamente ao contribuinte, independentemente do número ou da natureza dos dispositivos domésticos. Na prática, isso significa que usuários que acessam conteúdo apenas por smartphone, notebook, tablet ou pela internet poderiam ser incluídos na base de contribuição. Uma das hipóteses em análise prevê um valor mensal de cerca de 8–9 zl (1,85–2,10 €), equivalendo a 100–110 zl por ano (23–25 €).

Também está em estudo a lógica de cobrança automática no momento da declaração do imposto de renda (PIT), o que facilitaria a arrecadação e reduziria custos administrativos. O cronograma ainda é provisório: a entrada em vigor é projetada para 2027, mas será condicionada à aprovação das normas detalhadas e ao calendário legislativo. Até lá, as regras atuais permanecem aplicáveis.

Do ponto de vista prático, a reforma preserva algumas características do sistema atual: um único pagamento cobriria o núcleo familiar, independentemente do número de dispositivos, e o pagamento antecipado anual daria direito a um desconto de 10%. Mantêm-se também isenções bem definidas — em 2026, estão isentos, entre outros, maiores de 75 anos; pensionistas acima de 60 anos com pensão até 4.451,78 zl brutos (aprox. 1.028 €); desempregados; e pessoas com deficiência de primeira categoria ou com incapacidade grave.

Entretanto, o aspecto que mais amplia a apreensão pública é o reforço dos mecanismos de verificação. Enquanto o regime não muda, as Correios da Polônia continuam autorizadas a fiscalizar o registro e o pagamento do canone. Para empresas, a descoberta de um aparelho não registrado pode resultar em multa equivalente a 30 vezes o valor do canone mensal — um multiplicador que pode tornar a sanção substancial.

Se a implementação do novo contributo sofrer adiamento, as tarifas estimadas para 2027 poderiam subir: 10,80 zl mensais para rádio (cerca de 2,50 €) e 34,50 zl para televisores ou aparelhos combo (cerca de 8 €).

Em termos geopolíticos e de gestão de poder público, estamos diante de um movimento que altera alicerces financeiros da radiodifusão pública — uma verdadeira técnica de realinhamento no tabuleiro administrativo. Ao deslocar a obrigação do aparelho para o indivíduo, a reforma busca adaptar a arrecadação ao universo digital. Mas, simultaneamente, redesenha fronteiras invisíveis entre o cidadão e o Estado arrecadador, exigindo clareza normativa para evitar fraturas sociais e jurídicas.

Enquanto as peças ainda se movimentam no tabuleiro legislativo, o eleitor e o contribuinte devem acompanhar com atenção o desenvolvimento das propostas: a tectônica de poder entre Estado, media públicos e sociedade civil pode ser recalibrada em poucos movimentos.

Guia Italia + — O conteúdo continua após a publicidade.

Continuação do Conteúdo ↘