Crise em Ceuta: ex-chefe de gabinete afirma ter alertado sobre convocações nas redes antes da chegada massiva de migrantes

Ex-chefe de gabinete de Ceuta afirma ter alertado sobre convocações nas redes antes da chegada massiva de migrantes; delegado nega e não se demite.

Crise em Ceuta: ex-chefe de gabinete afirma ter alertado sobre convocações nas redes antes da chegada massiva de migrantes

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Crise em Ceuta: ex-chefe de gabinete afirma ter alertado sobre convocações nas redes antes da chegada massiva de migrantes

Por Marco Severini — Em um movimento que remete a um lance decisivo no tabuleiro da administração local, o agora ex-chefe de gabinete da delegação do governo espanhol em Ceuta, Gonzalo Sanz, apresentou sua dimissão. A informação, porém, ainda carece de confirmação oficial por parte da própria delegação do governo.

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Sanz sustenta que recebeu, em 29 de julho, um aviso do Centro Nacional de Inteligência (CNI) apontando mensagens circulantes nas redes sociais entre grupos que somariam cerca de 180 mil participantes — um alerta emitido um dia antes da entrada massiva de migrantes procedentes do Marrocos, ocorrida nos dias 30 e 31 de julho.

Segundo a narrativa do ex-chefe de gabinete, essas comunicações foram transmitidas naquele mesmo dia ao delegado do governo, Miguel Ángel Pérez Triano. Sanz afirma existir uma clara “incompatibilidade” entre sua versão e as declarações públicas do delegado, que assegurou a vários meios de comunicação não ter tido conhecimento desse aviso até a divulgação, pelo Executivo, de relatórios sobre a crise.

As dimissões dão-se em um contexto sensível: dois dias antes, o governo publicou 40 relatórios desecretados que incluem trocas de mensagens do CNI com a Delegação do Governo e com a Guardia Civil. Entre elas há mensagens via WhatsApp em que um agente dos serviços de inteligência manifesta preocupação sobre convocações agendadas para 30 de julho e sobre a possibilidade de um “assalto” via terra e via mar à cidade.

O teor do alerta, segundo os relatórios tornados públicos, referia-se explicitamente a um apelo nas redes sociais para um assalto por terra — superando a vedação da cerca — e por mar, aproveitando-se da distração das forças de segurança durante a celebração do Dia do Trono, quando os efetivos estariam mobilizados para o dispositivo festivo. Na correspondência constava que dois grupos distintos somavam um total aproximado de 180 mil seguidores.

Após o aviso, houve uma chamada telefônica de 11 minutos entre o gabinete do Governo e um agente do CNI. Em seguida, Gonzalo Sanz confirmou ao agente que havia recebido o alerta.

Triano, por sua vez, declarou não ter conhecimento da conversa e enquadrou o episódio como parte de “um intercâmbio de documentação informativa” que nunca, em sua interpretação, foi ligado à possibilidade de uma entrada em massa de pessoas. Em coletiva, o delegado afastou qualquer decisão de renúncia relacionada à sua gestão da crise migratória, sustentando que, antes do incidente de 30 e 31 de julho, fora sinalada apenas “uma situação migratória grave e complexa”.

Sanz fez questão de sublinhar que sua saída não se configura por ressentimento pessoal contra o delegado; ao contrário, ele elogiou o empenho da Delegação do Governo em buscar respostas junto ao Executivo desde o início e mencionou a existência de comunicações formais que atestariam o trabalho de alerta dirigido a diferentes ministérios. Sanz concluiu desejando que Ceuta recupere “o mais rapidamente possível” a normalidade necessária.

Este episódio revela a tectônica frágil da coordenação entre inteligência e administração local num momento de stress migratório e expõe as linhas de fratura na cadeia de comando informativo. Como em um jogo de xadrez de alta complexidade, um único movimento, a revelação de um aviso, redesenha a configuração das responsabilidades e obriga o redimensionamento das estratégias políticas e administrativas.

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