França alia-se à Eslováquia e pede retirada de Alisher Usmanov da lista de sanções da UE
França se alia à Eslováquia e pede remoção de Alisher Usmanov da lista de sanções da UE, gerando frustração entre membros diante do prazo de 15 de setembro.
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França alia-se à Eslováquia e pede retirada de Alisher Usmanov da lista de sanções da UE
Por Marco Severini — Em um movimento que redesenha linhas discretas no tabuleiro diplomático da União Europeia, França uniu-se à Eslováquia para solicitar a remoção de Alisher Usmanov da lista de sanções da UE. A iniciativa, segundo quatro fontes próximas às negociações ouvidas pelo Euronews, provocou “enorme frustração” entre outros Estados-membros.
A solicitação de Bratislava para retirar do rol sancionatório tanto Usmanov quanto o também oligarca russo Mikhail Fridman não é nova. A capital eslovaca vinha, há meses, empenhando-se para que ambos saíssem do conjunto de medidas que mira personalidades próximas ao Kremlin e ao complexo militar-industrial responsável, em parte, pelo esforço de guerra contra a Ucrânia.
Agora, no que pode ser interpretado como um movimento estratégico no tabuleiro europeu, Paris passou a defender que Usmanov — sancionado pela UE desde 2022, após a invasão russa em larga escala — seja retirado das listas. Nascido no Uzbequistão, Usmanov é um bilionário cujos interesses atravessam metais, mineração, telecomunicações e tecnologia, e é amplamente considerado próximo ao Kremlin.
Esta adesão francesa intensificou a tensão entre aliados. “Levanta muitas questões sobre as motivações: aqui parecem pesar sobretudo razões econômicas. Os outros Estados-membros fazem dificuldade em entender”, afirmou à Euronews um diplomata da UE, que falou sob condição de anonimato dada a sensibilidade das negociações. A crítica chega em momento de maior vulnerabilidade do espaço europeu, marcado por uma escalada de ameaças híbridas — entre elas, a tentativa recentemente registrada de ataque por drones ao aeroporto de Leipzig, na Alemanha.
O regime sancionatório da UE atinge hoje mais de 3 mil pessoas e entidades associadas ao complexo militar-industrial russo e ao seu papel na invasão da Ucrânia. A renovação desse regime expira em 15 de setembro, e os Estados-membros estão pressionados para um entendimento antes dessa data.
Tradicionalmente, as individualizações de sanções vinham sendo renovadas a cada seis meses; contudo, está em pauta um renovação anual de 12 meses — alinhada ao que já ocorreu em julho para medidas setoriais. Em várias reuniões entre embaixadores, a Eslováquia tem se oposto ao prolongamento automático e tem exigido a retirada dos nomes de Usmanov e Fridman, bem como a manutenção do ciclo semestral.
Recorde-se que as decisões sobre a lista de sanções exigem unanimidade na UE — uma única capital pode vetar a prorrogação. A resistência eslovaca já havia causado desconforto; a inclinação de Paris para o mesmo lado do tabuleiro complica ainda mais o alcance de um consenso.
Segundo diplomatas, Paris colocou a proposta de remoção de Usmanov como um compromisso político, acreditando que desta vez Bratislava não insistiria em todas as suas exigências anteriores. O debate voltará a reunir os embaixadores nos próximos dias, num teste de coesão que vai além de meras formalidades administrativas: está em jogo a capacidade da UE de manter posições comuns perante pressões externas e interesses econômicos divergentes, e a integridade dos mecanismos sancionatórios que sustentam a resposta europeia à agressão russa.
Num cenário onde as tensões híbridas aumentam e as linhas de influência se redesenham com cuidado, essa disputa sobre nomes na lista de sanções revela-se um movimento decisivo no tabuleiro — não apenas pela figura em si, mas pelo precedente político que pode criar para futuras deliberações. A próxima semana dirá se os alicerces da diplomacia sancionadora resistirão à tentação de concessões orientadas por interesses econômicos pontuais.

