Eurostat: produção de cerveja na UE cai 0,7% em 2025, mas mantém recuperação desde 2020
Eurostat: produção de cerveja na UE caiu 0,7% em 2025, somando 34,4 bilhões de litros; Alemanha lidera com 7,4 bi litros.
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Eurostat: produção de cerveja na UE cai 0,7% em 2025, mas mantém recuperação desde 2020
Por Marco Severini — Em um movimento que exige leitura atenta do tabuleiro europeu, os dados mais recentes do Eurostat revelam que a produção de cerveja na União Europeia registrou uma ligeira retração em 2025. Segundo a agência estatística da UE, os Estados‑membros produziram um total de 34,4 bilhões de litros no ano, cifra que corresponde a uma queda de 0,7% em relação a 2024, mas permanece 2,2% acima do patamar de 2020.
Do total produzido, cerca de 32,3 bilhões de litros continham mais de 0,5% de teor alcoólico, enquanto as variantes com baixo teor alcoólico ou analcoólicas atingiram aproximadamente 2,1 bilhões de litros. Esses números desenham um cenário de recuperação estrutural, embora com oscilações pontuais que remetem aos alicerces frágeis da indústria e às mudanças nos hábitos de consumo.
No ranking por países, a Alemanha manteve sua posição de liderança com 7,4 bilhões de litros produzidos — equivalente a 21,6% da produção total da UE. Em seguida vêm a Espanha com 5,3 bilhões de litros (15,5%) e a Polônia com 3,5 bilhões (10,2%). A lista das cinco maiores produtoras é completada pelos Países Baixos (2,4 bilhões; 6,9%) e pela França (2,1 bilhões; 6%). A Itália, incluindo São Marino no abrigo estatístico, registrou uma produção de 3,4 bilhões de litros, considerando apenas a categoria acima de 0,5% de álcool.
Na outra face do mapa produtivo, alguns Estados europeus permanecem em níveis modestos de fabricação de cerveja alcoólica: Noruega com 222 milhões de litros, Eslováquia com 160 milhões, Estônia com 112 milhões, Letônia com 65 milhões e Montenegro com 28 milhões. Esse padrão reflete, em muitos casos, economias de escala reduzidas, infraestruturas industriais limitadas e mercados internos menores.
Quanto à produção de cerveja não alcoólica ou de baixo teor (inferior a 5%), a Espanha e a Polônia destacaram‑se com aproximadamente 285 milhões e 280 milhões de litros, respectivamente. Seguem-se os Países Baixos (c. 223 milhões), a República Tcheca (c. 123 milhões) e a Romênia (c. 103 milhões). Em contraste, países como Hungria (37 milhões), Áustria (31 milhões), Portugal e Eslováquia (7 milhões cada), além de Noruega (12 milhões), Estônia e Letônia (1 milhão cada), mostram produções marginais; Suécia, Finlândia e Lituânia não chegaram a alcançar a marca de um milhão de litros. Para a Itália, o dado relativo à cerveja analcoólica não foi disponibilizado pelo Eurostat.
Do ponto de vista estratégico, trata‑se de um setor que combina tradições centenárias com pressões contemporâneas: mudanças de consumo, inovação em produtos de baixo teor alcoólico e a logística de cadeias de suprimento pós‑pandemia. No mapa da indústria, os movimentos são menos espetaculares que em um lance de xadrez, mas igualmente decisivos — pequenas variações percentuais podem reconfigurar quotas de mercado e rotas de exportação.
Em resumo, a leve queda de 0,7% em 2025 não interrompe a trajetória de recuperação iniciada após 2020; contudo, o resultado sublinha a necessidade de políticas industriais e comerciais que consolidem os ganhos e sustentem investimentos em modernização e diversificação de produtos. A tectônica de poder no mercado cervejeiro europeu permanece em mutação lenta, demandando vigilância por parte de produtores, formuladores de políticas e investidores.

