Fumo e vaporizadores na UE em 2025: queda geral, pontos críticos e metas até 2040
Eurostat 2025: uso diário de tabaco e vaporizadores diminui na UE, mas prevalência segue alta em vários países. Meta UE: <5% até 2040.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Fumo e vaporizadores na UE em 2025: queda geral, pontos críticos e metas até 2040
Por Marco Severini — A política da saúde pública avança como um jogo posicional: movimentos lentos, calculados, destinados a minar gradualmente posições adversárias. Segundo dados do Eurostat relativos a 2025, o consumo diário de tabaco e de produtos correlatos — como cigarros eletrônicos e vaporizadores com nicotina — registrou uma queda contínua na UE, mas a distribuição desse declínio revela um tabuleiro de poder ainda fragmentado.
Em termos agregados, aproximadamente uma em cada seis pessoas com 16 anos ou mais declarou consumir diariamente algum produto de tabaco ou correlatos. O perfil demográfico mantêm-se assimétrico: fuma diariamente 20,8% dos homens contra 12,6% das mulheres — percentuais ambos inferiores aos observados em 2022 (22,2% e 13,1%, respectivamente), o que confirma uma correção lenta, porém persistente, na taxa de prevalência.
O impacto em vidas humanas permanece contundente. Segundo a OMS, o tabaco está ligado a cerca de 1,1 milhão de mortes anuais na Europa, das quais 153 mil são atribuíveis à exposição ao fumo passivo. A carga de mortalidade oncológica é particularmente severa: o tabaco responde por 71% das mortes por câncer de pulmão entre homens e 46% entre mulheres. Diante dessa realidade, a União Europeia incorporou metas ambiciosas no seu Beating Cancer Plan, apontando para a redução do consumo a menos de 5% da população até 2040 — um objetivo estratégico que exige coordenação política e execução sustentada.
A análise etária mostra flutuações moderadas: o maior percentual de utilizadores diários (21,3%) concentra-se entre 35 e 49 anos; seguem-se as faixas de 25-34 anos (19,9%) e 50-64 anos (19,8%). Territorialmente, surgem fraturas claras no mapa europeu: Bulgária (26,3%), Suécia (23,9%) e Croácia (23,6%) apresentam as maiores quotas de uso diário, enquanto Países Baixos (9,9%), Irlanda (11,7%), Bélgica (13,6%) e Luxemburgo (13,8%) figuram entre os mais avançados na redução.
Entre 2022 e 2025, em 17 Estados-membros houve redução na proporção de utilizadores diários. As diminuições mais acentuadas ocorreram em Espanha e Luxemburgo; por outro lado, Croácia e Lituânia registraram aumentos notáveis — lembretes de que as políticas nacionais e os contextos sociais ainda redesenham, com variabilidade, as fronteiras do consumo.
Há, porém, um componente cognitivo que persiste como vulnerabilidade: a percepção pública dos riscos ligados ao fumo. Um estudo publicado na BMJ Open indica que a consciência dos danos — embora superior a há duas décadas — melhorou apenas moderadamente. Mais de 90% dos inquiridos reconhecem a ligação entre fumo e câncer de pulmão; cerca de 80% associam o hábito a doenças cardíacas; percentuais inferiores reconhecem o risco de acidentes vasculares e os perigos do fumo passivo. Observou-se ainda uma heterogeneidade regional: nos Países Baixos a consciência aumentou significativamente, ao passo que diminuiu em Alemanha, França e Romênia.
Do ponto de vista estratégico, os dados expõem tanto progresso quanto fragilidades institucionais. A meta de menos de 5% até 2040 é um objetivo de longo alcance que exige, além de medidas regulatórias, campanhas educativas melhor calibradas, acompanhamento epidemiológico e coordenação transnacional. No tabuleiro da saúde pública, cada país move peças segundo interesses, tradições e estruturas regulatórias próprias — e a estabilidade futura depende da capacidade da União de transformar essa soma de movimentos em uma estratégia coerente e sustentada.

