Grécia endossa plano de autonomia do Marrocos para o Sahara Ocidental e reforça laços estratégicos
Grécia apoia o plano de autonomia do Marrocos para o Sahara Ocidental e amplia cooperação estratégica em energia, portos e infraestrutura.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Grécia endossa plano de autonomia do Marrocos para o Sahara Ocidental e reforça laços estratégicos
Por Marco Severini — Em um movimento que redesenha discretamente o tabuleiro diplomático no norte da África, a Grécia declarou apoio ao plano de autonomia proposto pelo Marrocos para o Sahara Ocidental, qualificando-o como uma contribuição séria e credível ao processo político sob a égide das Nações Unidas. A declaração foi feita pelo ministro dos Negócios Estrangeiros grego, Giorgos Gerapetritis, ao término do encontro em Atenas com o chefe da diplomacia marroquina, Nasser Bourita, em visita de trabalho.
Gerapetritis sublinhou que a posição de Atenas alinha-se à abordagem comum da União Europeia e presta pleno apoio aos esforços do Enviado Pessoal do Secretário-Geral da ONU, Staffan de Mistura, para conduzir negociações com base na proposta marroquina de autonomia. A meta declarada é alcançar uma solução justa, duradoura e mutuamente aceitável. Na perspectiva grega, essa iniciativa poderia configurar "a solução mais realizável" para a controvérsia regional.
Com acuidade de diplomata acostumado a ler movimentos além do imediato, Gerapetritis também ressaltou que a Grécia, como membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas para o biênio 2025-2026, acolhe com agrado a adoção da Resolução 2797, que estabelece a proposta de autonomia marroquina como quadro de trabalho para negociações rumo a uma solução política definitiva. Esse fato marca um ajuste na tectônica de poder que envolve atores regionais e internacionais, ancorando o processo negociador em parâmetros mais definidos.
O posicionamento de Atenas consolida uma convergência europeia crescente em torno de um processo negocial estruturado sobre a iniciativa marroquina, inserida agora no novo enquadramento delineado pela Resolução 2797. O ministro grego frisou, ainda, o papel do Marrocos como "pilar de estabilidade" na região e seu contributo ativo ao desenvolvimento do continente africano — afirmação que tem repercussões práticas no plano econômico e na segurança regional.
No encontro bilateral, Bourita e Gerapetritis ampliaram a agenda para além da questão sahariana, abordando o fortalecimento das relações econômicas e comerciais. Entre as áreas elencadas figuram a cooperação econômica, infraestrutura, energia verde, gestão de recursos hídricos, portos, transporte marítimo e o setor agroalimentar. Atenas identifica o Marrocos como uma importante porta de entrada para os mercados da África Subsaariana e observa oportunidades associadas aos grandes projetos de infraestrutura ligados à Copa do Mundo FIFA 2030, da qual o Reino é coorganizador.
Em termos estratégicos, a postura grega denota um cálculo cuidadoso: ao apoiar o plano de autonomia marroquino, Atenas posiciona-se como facilitadora de um processo multilateral que busca estabilidade duradoura, evitando vácuos de poder que poderiam desestabilizar o corredor mediterrâneo-saariano. É um movimento que lembra um lance preciso num tabuleiro de xadrez diplomático — lento, porém com claras intenções de consolidar alicerces e redesenhar fronteiras invisíveis de influência.
Enquanto as negociações sob a liderança de De Mistura avançarem, caberá agora aos atores regionais e à comunidade internacional traduzirem compromissos políticos em mecanismos práticos de implementação. A convergência entre Atenas e Rabat é, nesse sentido, um elemento de estabilidade no mosaico geopolítico da região.

