Obesidade na UE atinge 16,3% dos adultos em 2025; Itália registra o menor índice (7%)
Eurostat 2025: 16,3% dos adultos da UE são obesos; Itália tem o menor índice (7%) e a UE enfrenta 51,7% de adultos com sobrepeso.
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Obesidade na UE atinge 16,3% dos adultos em 2025; Itália registra o menor índice (7%)
Bruxelas, 4 de setembro de 2026 — Os dados divulgados hoje pelo Eurostat revelam uma movimentação preocupante no tabuleiro demográfico e sanitário da União Europeia. Em 2025, 16,3% da população adulta da UE apresentava índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 30, condição classificada como obesidade, enquanto outros 35,4% enquadravam-se na categoria de pré-obesidade (IMC entre 25 e menos de 30). No conjunto, isso traduz-se em 51,7% dos adultos europeus em situação de sovrapeso.
Comparado a 2019, quando a taxa de obesidade adulta era de 15,3%, o incremento para 16,3% em 2025 significa um avanço de um ponto percentual em seis anos — um movimento lento, mas constante, que redesenha as fragilidades dos sistemas de saúde dos Estados-membros.
As diferenças entre países revelam uma tectônica de poder e vulnerabilidade: Malta lidera com 26,6% de adultos obesos, seguida pela Letônia (24,6%) e pela Finlândia (23,2%). No extremo inverso do mapa, a Itália registra o menor índice da UE, com apenas 7% da população adulta obesa, seguida pela Grécia (12,8%) e Romênia (12,9%). Mesmo considerando o conjunto do sovrapeso, a Itália permanece abaixo da média europeia, com 37,7% contra os 51,7% da UE.
O recorte por gênero evidencia outro padrão de risco estratégico: em 2025 havia, na UE, 17,4% de homens obesos frente a 15,3% das mulheres. A discrepância é ainda maior na categoria de pré-obesidade — 41,9% entre homens e 29,3% entre mulheres. Por outro lado, o subpeso aparece com maior frequência entre mulheres (2,9%) do que entre homens (1%).
As implicações políticas e econômicas foram sublinhadas em Bruxelas pelo comissário para o Clima, Wopke Hoekstra, ao marcar a Jornada Mundial da Obesidade. Em discurso na Eurocâmara, em Estrasburgo, Hoekstra qualificou as cifras como "muito preocupantes" e apontou que "mais da metade dos adultos está em sobrepeso". Acrescentou também que cerca de 30% da população infantil enfrenta sobrepeso ou obesidade — um indicador que pressiona os alicerces dos sistemas de saúde e reclama políticas preventivas robustas.
O comissário defendeu medidas centradas na prevenção, enfatizando a importância de hábitos alimentares saudáveis e atividade física regular desde a infância. Para um arquiteto da política pública, trata-se de mover peças no tabuleiro social: intervenções educativas, regulação de ambientes alimentares e incentivos à atividade física podem atuar como jogadas estratégicas para reduzir custos futuros e estabilizar a carga de doenças crônicas.
Do ponto de vista geopolítico e de segurança social, estes números não são meras estatísticas; são sinais de alteração da capacidade dos Estados de sustentar modelos de bem-estar. A leitura prudente exige combinar políticas públicas de saúde com medidas socioeconômicas que enfrentem determinantes estruturais do sobrepeso e da obesidade, preservando assim a resiliência dos sistemas nacionais e do próprio projeto europeu.

