Caro livros: famílias enfrentarão gasto de mais de €1 bilhão no retorno às aulas; Sul da Itália é o mais afetado
Estudo Eures-Adoc estima gasto superior a €1 bi com livros escolares em 2026/27; famílias recorrem a usados e Mezzogiorno é o mais impactado.
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Caro livros: famílias enfrentarão gasto de mais de €1 bilhão no retorno às aulas; Sul da Itália é o mais afetado
Por Giulliano Martini — O novo ano escolar 2026/2027 abre com o já previsível aperto no orçamento das famílias italianas provocado pelo caro livros. O levantamento do Osservatorio Eures-Adoc, com cobertura sobre mais de 3.500 títulos adotados em 420 turmas e 100 institutos de ensino secundário distribuídos em todos os capoluoghi di regione, traça um quadro econômico nítido e preocupante.
Segundo o monitoramento, a despesa estimada apenas com livros de texto alcança aproximadamente €1 bilhão — composto por €800 milhões para obras novas e €200 milhões para livros usados. A esse montante somam-se, pelo menos, outros €200 milhões destinados a dicionários, materiais técnicos e artigos de papelaria, elevando o impacto real sobre os lares a um patamar superior a €1 bilhão.
“Não é aceitável que uma família deva renunciar a outras necessidades primárias ou se virar entre grupos de WhatsApp, mercados de usados ou múltiplas plataformas de re-commerce apenas para conter os custos”, alerta Anna Rea, presidente da Adoc. A declaração resume o cenário: opções informais e de segunda mão proliferam como mecanismo de sobrevivência financeira para muitos responsáveis por estudantes.
Os dados apurados revelam ainda variações sensíveis por ciclo escolar. A despesa média anual nas escolas secundárias de 1º grau (ensino fundamental II) chega a €217 por aluno; nas de 2º grau (ensino médio), a média sobe para €342 por aluno. A trajetória da inflação dos custos mostra crescimento moderado para o 1º grau — +0,9% em relação ao ano anterior e +5,5% sobre 2024/2025 — e aumento mais pronunciado no 2º grau — +3,3% sobre 2025/2026 e +12,1% contra 2024/2025.
O levantamento detalha um efeito de salasso de entrada nos anos que inauguram um novo ciclo. Na secondaria di primo grado, o primeiro ano apresenta custo esperado de €323, caindo para €166 e €162 nos anos subsequentes, totalizando €650 para o ciclo completo. No 2º grau, observa-se padrão semelhante: as primeiras e terceiras anualidades concentram os picos (respectivamente €393 e €390 para 2026/2027), o segundo ano registra gasto bem mais baixo (€238) e o quarto e quinto anos situam‑se alinhados à média (€340 e €351).
O estudo também aponta desigualdades territoriais: o Mezzogiorno aparece como a região mais atingida pela escalada de custos, tanto em termos relativos quanto em impacto no orçamento doméstico, ampliando fissuras já presentes no acesso igualitário à educação.
Metodologicamente, o relatório baseia‑se no cruzamento de dados das adoções de mais de 3.500 livros, verificação nas listas das escolas e levantamento nos capoluoghi regionais — uma apuração que busca reduzir vieses e oferecer um retrato fiel dos custos reais suportados pelas famílias.
Além do efeito financeiro direto, chama atenção a ausência de medidas fiscais ou deduções capazes de mitigar o peso desses gastos no orçamento familiar. Sem políticas de compensação, dizem os especialistas consultados pela Adoc, resta às famílias recorrer a circuitos de segunda mão, troca entre alunos e aplicativos de re-commerce — soluções paliativas, que não substituem uma política estrutural para tornar os livros escolares acessíveis.
O cenário descrito pelo Osservatorio Eures-Adoc constitui um alerta: o retorno às aulas de 2026/2027 deverá ser acompanhado por debates públicos e decisões administrativas que enfrentem tanto o caro livros quanto as desigualdades regionais evidenciadas pelos números.

