Migrantes à deriva por 27 dias: ao menos 5 mortos em barco resgatado nas Canárias
Ao menos 5 mortos e dezenas de desaparecidos: barco com migrantes ficou 27 dias à deriva e foi resgatado nas Canárias. Sobreviventes levados a Arguineguín.
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Migrantes à deriva por 27 dias: ao menos 5 mortos em barco resgatado nas Canárias
Apuração e cruzamento de fontes indicam que ao menos cinco pessoas morreram a bordo de um barco que ficou 27 dias à deriva no Atlântico, resgatado ao amanhecer por meios do Salvamento Marítimo espanhol a cerca de 65 milhas ao sudeste da ilha de Gran Canaria, no arquipélago das Canárias.
Segundo relatos oficiais, foram encontradas vivas cerca de quarenta pessoas na embarcação, que foram transferidas para o porto de Arguineguín, em Gran Canaria, desembarcando nas primeiras horas da manhã, entre 4h15 e 4h40. De acordo com o depoimento dos sobreviventes, o caíque — as frágeis embarcações frequentemente usadas para travessias desde a África Ocidental — teria partido do Gâmbia há 27 dias, com destino às ilhas espanholas, transportando originalmente 128 migrantes.
Fontes do Salvamento Marítimo e da ONG Caminando Fronteras, citadas pela agência Efe, indicaram que um total de 80 pessoas que teriam estado a bordo teriam morrido ou ficaram desaparecidas durante a travessia. A embarcação foi localizada na noite anterior, aproximadamente a 120 quilômetros ao sudeste de Gran Canaria. Uma lancha do serviço de salvamento alcançou o barco pouco depois das 23h e socorreu 44 pessoas — todas, segundo os socorros, homens de origem subsaariana — encontrando também cinco cadáveres no convés.
As más condições marítimas — vento em torno de 20 nós e ondas de até 2,5 metros — impediram inicialmente o recolhimento dos corpos no local. Três dos sobreviventes, em condição clínica grave, foram evacuados por helicóptero para o Hospital Universitário Doctor Negrín, em Gran Canaria. Os demais socorridos receberam atendimento de equipes sanitárias e voluntários da Cruz Vermelha após o desembarque em Arguineguín.
Em checagem técnica, um porta-voz da ONG Caminando Fronteras informou que a Guardia Civil confirmou que as inscrições no casco do caíque correspondem às de uma embarcação que teria partido em 7 de agosto com 128 pessoas a bordo — incluindo quatro mulheres e uma recém-nascida, conforme registros iniciais. A discrepância entre o número de embarcados, sobreviventes e desaparecidos é objeto de verificação contínua pelas autoridades marítimas e pelas organizações que atuam no terreno.
O caso representa mais um episódio grave na rota migratória para as Canárias, uma travessia que combina longas distâncias, embarcações precárias e condições meteorológicas adversas, elevando o risco de afogamento, desidratação e morte. Equipes de socorro, organizações não governamentais e autoridades locais continuam com os procedimentos de acolhimento, identificação e investigação sobre a dinâmica da viagem, a possível presença de traficantes e a documentação das vítimas.
Em termos práticos, há confirmação preliminar da retirada de 44 pessoas com vida, cinco corpos a bordo e a estimativa de até 80 mortos ou desaparecidos relacionada ao mesmo caíque. As investigações da Guardia Civil e dos serviços de Salvamento Marítimo prosseguem para aclarar datas, itinerários e responsabilidades, enquanto serviços sociais mobilizam apoio aos sobreviventes.
Apuração in loco e cruzamento de fontes permanecem em curso. A Espresso Italia acompanhará a evolução das confirmações oficiais e de campo, priorizando os fatos brutos e a verificação técnica das informações.

