UE acusa Meta e TikTok de fomentar dependência em crianças e exige ação firme sob o DSA
UE acusa Meta e TikTok de criar dependência em crianças; Comissão exige ação sob o DSA e não aceitará medidas superficiais.
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UE acusa Meta e TikTok de fomentar dependência em crianças e exige ação firme sob o DSA
Bruxelas — Em um posicionamento que desenha um movimento decisivo no tabuleiro institucional europeu, a Comissão Europeia sinalizou nesta quinta-feira que não tolerará práticas de plataformas digitais que promovam a dependência entre os mais jovens. O porta-voz da Comissão, Thomas Reigner, afirmou em briefing com a imprensa que Meta e TikTok continuam a “oferecer serviços altamente danosos” e a lucrar “às custas do bem-estar dos nossos cidadãos”.
A pressão institucional ganhou ímpeto após uma carta enviada à presidente Ursula von der Leyen pela eurodeputada francesa do Renew, Stéphanie Yon-Courtine, e por outros 51 europarlamentares. No documento, os signatários citam o recente acordo alcançado entre a Meta e 48 estados americanos, no qual a empresa californiana foi acusada de projetar deliberadamente as suas plataformas de modo a criar dependência entre adolescentes. O apelo europeu solicita que o Executivo avalie com celeridade e firmeza a investigação aberta em 16 de maio de 2024 relativa à conformidade da Meta com o DSA (Digital Services Act).
Reigner confirmou o recebimento da carta e reiterou que, embora a Meta e o TikTok tenham anunciado medidas de segurança diferenciadas em contextos extracomunitários — “a Meta nos Estados Unidos e o TikTok em relação à China”, nas palavras do porta-voz — isso não elimina o caráter sistêmico dos riscos identificados. Segundo a Comissão, as plataformas mantêm elementos de design que incentivam uso compulsivo, como o scroll infinito, a reprodução automática de vídeos e notificações push incessantes.
Esses elementos foram o centro das conclusões preliminares anunciadas pela Comissão em julho, quando se determinou que o desenho de produtos da Meta criava dependência em serviços como Instagram e Facebook, infringindo as disposições do DSA. No tom pragmático de quem avalia peças numa partida de xadrez, Reigner advertiu que a Comissão não aceitará um acordo baseado em “uma ou duas medidas de segurança” que não alterem os alicerces do design das plataformas.
Em resposta às comparações com o processo judicial norte-americano, o porta-voz sublinhou que a investigação do outro lado do Atlântico levou anos — e, na sua análise, demorará ainda mais — enquanto a União já chegou a conclusões preliminares em apenas dois anos ao abrigo do DSA. Por isso, afirmou, a União Europeia está empenhada em transformar conclusões em decisões concretas: desde exigência de compromissos vinculativos até a possibilidade real de uma decisão de não conformidade e a aplicação de sanções.
Do ponto de vista estratégico, trata-se de um redesenho de fronteiras invisíveis entre interesses econômicos das plataformas e deveres de proteção pública. A Comissão procura agora equilibrar a necessidade de respostas rápidas com a qualidade técnica das investigações — uma jugada que combina prudência processual com ambição regulatória.
Ao mesmo tempo, permanece em aberto a via das negociações: Meta e TikTok ainda podem apresentar compromissos substanciais para mitigar riscos aos menores. Contudo, como advertiu Reigner, medidas cosméticas não serão suficientes; o objetivo do DSA é atacar as características de design que produzem a dependência, não apenas consolar as aparências.
Em termos de política internacional, esta disputa ilustra a tectônica de poder entre centros tecnológicos e reguladores públicos — um movimento que ressignifica responsabilidades corporativas e recalibra a arquitetura da governança digital global.

