Vitória do AfD em Saxônia-Anhalt Reacende Divisões na Direita Francesa: silêncio do Rassemblement National e euforia de Reconquête!
Vitória do AfD em Saxônia-Anhalt agrava divisões na direita francesa: RN silencia, Reconquête! comemora e estratégias eleitorais são redesenhadas.
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Vitória do AfD em Saxônia-Anhalt Reacende Divisões na Direita Francesa: silêncio do Rassemblement National e euforia de Reconquête!
Por Marco Severini — A recente vitória eleitoral do AfD na região de Saxônia-Anhalt abre uma nova sequência de movimentos no tabuleiro político europeu, expondo fissuras na coesão da direita francesa. O partido alemão de extrema direita obteve 43,8% dos votos, superando a CDU do chanceler Friedrich Merz, que ficou em 17,2% — um resultado que reverbera além das fronteiras alemãs.
Notavelmente, o Rassemblement National (RN) adotou um silêncio calculado. Nem Marine Le Pen nem Jordan Bardella emitiram manifestação pública imediata sobre o triunfo do AfD, uma omissão que é sintoma das relações complicadas entre as formações de direita na Europa. Enquanto isso, o movimento Reconquête!, situado à direita do RN e companheiro de bancada do AfD no grupo Europa das Nações Soberanas (ESN) no Parlamento Europeu, saudou a vitória, sublinhando divergências estratégicas e de imagem dentro do espectro nacionalista francês.
Em tom diplomático, Jordan Bardella já havia respondido à questão das relações com o AfD durante o Fórum Ambrosetti, em Itália: segundo ele, um reencontro formal “não está previsto”. Bardella ressaltou, contudo, que a pressão eleitoral do AfD alterou equilíbrios internos na política alemã, em especial após Berlim restabelecer controlos fronteiriços alguns meses antes — peça de um tabuleiro geopolítico em movimento.
O silêncio dos líderes do RN não é surpreendente quando se considera a estratégia de normalização encetada por Marine Le Pen ao longo da última década. O projeto de distanciamento em relação às heranças mais explícitas do pai, Jean‑Marie Le Pen, em matéria de racismo e antissemitismo, tem sido alicerce da tentativa de tornar o RN palatável para franjas mais amplas do eleitorado e para as instituições internacionais.
Nos pêndulos das sondagens, o RN permanece na dianteira: pesquisas IPSOS/BVA publicadas por Le Parisien apontam entre 34% e 36% das intenções de voto para Marine Le Pen no primeiro turno das presidenciais marcadas para abril de 2027. São números que transformam cada movimento estratégico em potencial redefinição de eixos de influência.
Em comentário a Euronews, o eurodeputado e membro dos Patriotes pour l'Europe, Pierre‑Romain Thionnet, avaliou que o resultado do AfD “não deveria surpreender”: temas negligenciados pelos partidos tradicionais — imigração em massa, perda de identidade nacional, declínio social e industrial — teriam criado um vácuo aproveitado por forças emergentes. Thionnet acrescentou que o êxito alemão espelha um colapso das velhas formações em favor de forças que, segundo ele, representam aspirações populares reais.
Na arquitetura das alianças europeias, a vitória em Saxônia-Anhalt altera a tessitura: para o Rassemblement National, manter distância pública do AfD é um movimento defensivo que preserva credenciais de Estado; para Reconquête! e aliados do ESN, trata‑se de uma oportunidade de consolidar um eixo mais radical. O resultado é um redesenho — discreto, mas decisivo — das fronteiras políticas invisíveis no continente.
Enquanto se acomodam as peças no tabuleiro, resta observar se o silêncio do RN perdurará ou se será substituído por um relojoeiro cálculo estratégico capaz de reorganizar alianças sem comprometer a narrativa de normalização que Le Pen trabalhou arduamente para edificar.

