Emissários dos EUA visitam Kyiv após encontro com Putin para avançar plano de paz

Witkoff e Kushner vão a Kyiv após diálogo com Putin; Zelenskyy propõe trégua temporária enquanto negociações avançam.

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Emissários dos EUA visitam Kyiv após encontro com Putin para avançar plano de paz

Por Marco Severini

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Em um movimento de alta tensão no tabuleiro diplomático, os emissários dos Estados Unidos para a paz, Steve Witkoff e Jared Kushner, deslocaram-se a Kyiv no domingo após um encontro em Moscou com o presidente Vladimir Putin. A visita ocorre no contexto de conversações destinadas a pavimentar um caminho — ainda incerto — para o cessar-fogo e um eventual acordo que pondria fim ao conflito iniciado em fevereiro de 2022.

Segundo relatório de um funcionário da Casa Branca à agência AFP, os negociadores estadunidenses apresentaram a Moscou propostas destinadas a 'fazer avançar a agenda de paz do presidente Donald Trump na guerra entre Rússia e Ucrânia'. As partes discutiram 'planos concretos para os próximos passos', que, conforme indicado, serão anunciados nas próximas semanas.

Do lado do Kremlin, o assessor Yuri Ushakov qualificou os diálogos como 'extremamente francos' e afirmou que a delegação americana apresentou uma série de ideias sobre possíveis vias de solução. Ainda que a linguagem diplomática tente preservar otimismo, Ushakov reportou que Moscou manteve a convicção de poder conquistar o restante do leste ucraniano — uma afirmação que redesenha, no mapa das intenções, as linhas de força do conflito.

O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy informou ter conversado com Witkoff e Kushner no sábado e reiterou o compromisso de suspender ataques durante a presença dos emissários. 'A partir deste momento, estamos prontos para respeitar uma trégua nos ataques aéreos contra as cidades envolvidas no processo de negociação', escreveu Zelenskyy em publicação oficial. Ele acrescentou que, de agora até o final de sábado, assim como domingo e segunda-feira, a Ucrânia estaria disposta a renunciar a ataques contra Moscou, esperando recíproca condicionante russa.

Do lado russo, o porta-voz do Kremlin Dmitry Peskov informou à agência Interfax que o presidente Putin ordenou a interrupção dos ataques sobre Kyiv por três dias, medida que entraria em vigor à 0h de sábado. A suspensão temporária das hostilidades, em termos estratégicos, funciona como uma janela — estreita e calculada — que pode permitir a troca de cartas e a remodelação de posições.

O próprio Donald Trump afirmou aos jornalistas que Witkoff e Kushner apresentariam uma 'proposta para pôr fim à guerra' em ambas as capitais e elogiou a atuação dos emissários como 'excelente', sinalizando que haveria 'boa possibilidade' de sucesso. Por sua vez, Kiev declarou ter aprovado o plano ucraniano de diálogo e se colocou à disposição para uma 'discussão substancial'.

Como analista, observo que esta missão combina elementos de improviso político com tentativa de construção estratégica: é um movimento que busca deslocar as peças do tabuleiro — capitais, compromissos e ritos de confiança — sem, contudo, alterar imediatamente as estruturas fundamentais do poder. A fragilidade dos alicerces diplomáticos continua evidente; qualquer avanço dependerá de garantias concretas, verificabilidade e de um redesenho, ainda que parcial, das fronteiras invisíveis da influência.

Em suma, a visita de Witkoff e Kushner a Kyiv após o encontro em Moscou abre uma janela de oportunidade, porém estreita. O sucesso dependerá tanto da disposição política dos protagonistas quanto da compreensão tática sobre como converter cessões temporárias em compromissos duradouros — um desafio clássico de Realpolitik que exige precisão e paciência.

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