Gigi Riva e a nostalgia dos sentimentos em guerra: 'C'era l'amore a Sarajevo' chega em 17 de março
Gigi Riva lança 'C'era l'amore a Sarajevo' (17/03): um romance sobre amor, memória e a nostalgia dos Balcãs após a guerra.
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Gigi Riva e a nostalgia dos sentimentos em guerra: 'C'era l'amore a Sarajevo' chega em 17 de março
Por Chiara Lombardi — Observando o zeitgeist entre arte e memória, Gigi Riva volta a nos provocar com um tema que atravessa fronteiras e décadas: a relação íntima e paradoxal entre amor, amizade e a violência da guerra. O seu novo romance, C'era l'amore a Sarajevo, publicado pela Mondadori e lançado em 17 de março, é uma centrifuga sentimental que prende tanto pela literatura quanto pela carga afetiva.
Riva, natural de Nembro, é um repórter com mais de vinte anos como enviado de guerra. Embora tenha coberto por longos períodos o Médio Oriente, são os Balcãs que o marcaram de modo indelével: "Lá contraí um vírus do qual não quero me curar", admite. Depois de quatro livros e duas adaptações de roteiro dedicadas ao tema, este título pode ser, nas suas palavras, a última incursão — mas com a hesitação típica de quem sabe que certos cenários continuam a chamá-lo.
No romance, um cronista retorna à Bósnia no início de 2026, quando se assinalam os 30 anos do fim do conflito. O personagem central chama-se Carlo, nome emprestado do irmão de Riva; e embora a narrativa oscile entre autobiografia e invenção, cada cena carrega a verossimilhança de quem passou a vida a olhar o mundo através do visor de um repórter.
O livro investiga o paradoxo de um "remorso" ou nostalgia em torno do cerco de Sarajevo: sentimentos intensificados até a caricatura em situações de extremo. Riva recorre ao conceito de retropia de Zygmunt Bauman para dizer como muitos bósnios projetam no passado uma imagem de vida mais coesa — mesmo aquela coexistência tendo incluído a guerra. "É como se os últimos anos da Jugoslávia fossem o último espelho de um povo unido", escreve o autor em seu tecido narrativo.
Este tema já rendeu a Riva sucesso anterior: L'ultimo rigore di Faruk, que se transformou em um monólogo teatral em cartaz no Spazio Caverna. Enquanto Faruk explora as raízes do conflito, C'era l'amore a Sarajevo faz o movimento oposto — vasculha o pós-guerra, o luto e a manutenção do afeto em terra devastada. Entre as figuras evocadas está Faruk Hadžibegic, último capitão da seleção iugoslava — um símbolo que poderia transitar entre as histórias de Riva.
Ao leitor atento, o romance funciona como um espelho do nosso tempo: revela como o trauma e a memória alimentam uma narrativa coletiva que mistura saudade e assombro. A prosa de Riva é, ao mesmo tempo, jornalística e lírica — um reframe da realidade que nos lembra por que o entretenimento e a literatura são ferramentas essenciais para decifrar o passado e os seus ecos no presente.
Em 17 de março haverá apresentação em Nembro, ocasião que promete transformar a cidade natal do autor num pequeno palco para esse diálogo entre história, memória e afeto. Para quem busca entender o roteiro oculto das sociedades pós-conflito, C'era l'amore a Sarajevo é leitura obrigatória: não só um romance, mas um exercício de compreensão sobre o que significa amar em tempos onde o tecido social foi rasgado.


