Hashim Thaçi é condenado a 25 anos pela Corte Especial em Haia por crimes de guerra

Ex-presidente do Kosovo Hashim Thaçi condenado a 25 anos em Haia por crimes de guerra; defesa promete apelação e reações agitam Pristina.

Hashim Thaçi é condenado a 25 anos pela Corte Especial em Haia por crimes de guerra

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Hashim Thaçi é condenado a 25 anos pela Corte Especial em Haia por crimes de guerra

Hashim Thaçi, ex-presidente do Kosovo e ex-comandante da UÇK, foi declarado culpado de crimes de guerra e sentenciado a 25 anos de prisão pelas Camaras Especiais do Kosovo, tribunal sediado em Haia. O veredito, conhecido após um processo que durou três anos, cobre crimes cometidos entre 1º de janeiro de 1998 e 31 de dezembro de 2000, período central do conflito nos Bálcãs.

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As Câmaras Especiais do Kosovo e a Procuradoria Especial funcionam em Haia, nos Países Baixos, com pessoal e magistrados de caráter internacional. O tribunal foi criado com mandato específico para julgar crimes contra a humanidade, crimes de guerra e outros delitos previstos pela legislação do Kosovo quando praticados por ou contra cidadãos do Kosovo e/ou da então República Federativa da Jugoslávia.

No julgamento, Thaçi foi processado em conjunto com outros três ex-líderes da guerrilha: Jakup Krasniqi, Rexhep Selimi e Kadri Veseli. Os juízes consideraram os quatro culpados por uma série de crimes que incluem detenções ilegais, tortura, homicídio e maus-tratos. A decisão judicial rompe com a narrativa que, para muitos no Kosovo, via Thaçi como um herói da luta pela independência.

A defesa de Hashim Thaçi, liderada pelo advogado Pierre-Richard Prosper, reagiu com veemência. Prosper afirmou que a sentença representa um "fracasso da justiça" e um "erro judiciário" e anunciou que irá recorrer da decisão. Em declarações reproduzidas pela imprensa local, o advogado alegou que o tribunal "reescreveu a história" e que há testemunhas em campo que, segundo a defesa, isentariam Thaçi de responsabilidade direta, apresentando a UÇK como composta por comandantes regionais independentes.

Prosper alertou também para as implicações geopolíticas do veredito, dirigindo-se a aliados como os Estados Unidos e a NATO. Segundo ele, o entendimento expresso pela corte — de que a UÇK teria funcionado como uma organização criminosa conjunta — pode ser interpretado como indicação de colaboração externa, situação que, para o advogado, exigirá atenção e respostas por parte das potências ocidentais.

O pronunciamento do tribunal provocou forte reação em Pristina. A população acompanhou o desfecho em praças e frente a telões, enquanto uma massa de manifestantes se reuniu diante da sede da missão da União Europeia no Kosovo (EULEX), que esteve envolvida no processo de extradição de Thaçi às autoridades judiciais especiais. O clima no país é tenso: de um lado, o ressentimento e a indignação; do outro, o esforço institucional para aplicar normas de justiça internacional num caso emblemático.

Esta cobertura baseia-se no cruzamento de fontes oficiais e reportagens locais, com atenção ao mandato jurídico das Câmaras Especiais e às declarações formais das partes envolvidas. A sentença marca um capítulo sensível na transição do Kosovo pós-conflito e representa um teste para os mecanismos de responsabilização internacional quando comandantes militares são levados a julgamento por atos cometidos em contextos de guerra.

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