Elio estreia tour 'La rivalutazione della tristezza': o experimento que quer bater o recorde mundial de tristeza

Elio parte em tour 'La rivalutazione della tristezza' em 21/10: um experimento musical para restaurar a dignidade da tristeza e medir o 'tristometro'.

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Elio estreia tour 'La rivalutazione della tristezza': o experimento que quer bater o recorde mundial de tristeza

Por Chiara Lombardi — Com a ironia que mistura erudição e nonsense, Elio volta aos palcos com La rivalutazione della tristezza, um projeto ao vivo que propõe algo incomum no repertório contemporâneo: reivindicar a tristeza como sentimento digno, profundo e central à experiência estética. O novo tour tem início em 21 de outubro, em Alessandria, e anuncia um objetivo declarado em tom provocador: “bater o recorde de tristeza”.

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Ao lado da banda dirigida por Alberto Tafuri (piano e direção musical), com Sophia Tomelleri no sax tenor e flauta, Giulio Molteni no baixo e Martino Malacrida na bateria, Elio constrói um roteiro sonoro que atravessa gerações e geografias: de Luigi Tenco, Domenico Modugno e Fabrizio De André até Charles Aznavour, passando por James Taylor, Brecht/Weill, Nino Rota e inclusive recortes dos Elio e le Storie Tese. Entre as camadas mais densas, despontam também os chamados “antídotos” — nomes como Carosone e Rossini — capazes de reequilibrar emocionalmente a plateia.

“Percebi que, depois do Covid, o público buscava sobretudo a alegria. Onde se pode rir, vai muita gente. Então pensei: por que não fazer algo muito triste?”, diz Elio, num comentário que mistura brincadeira e tese estética. Mais do que um capricho mercadológico — embora o artista o reconheça com humor, chamando-o de “questão de quotas de mercado” — trata-se de uma proposta deliberada: devolver dignidade à tristeza, um sentimento frequentemente escondido ou desprezado, mas que atravessou séculos de arte, literatura e música.

O espetáculo não é apenas um concerto, mas um experimento com roteiro e métricas: a ideia é iniciar de um ponto neutro e, progressivamente, intensificar a melancolia até alcançar uma “tristeza mil”, para então usar os antídotos e retornar ao equilíbrio inicial. “Cada noite nós tentaremos bater o recorde mundial de tristeza, servindo-nos de canções cada vez mais tristes”, descreve o artista. Para medir esse trajeto, Elio introduz um elemento quase lúdico-científico: o tristometro, um instrumento que, segundo ele, quantifica a quantidade de tristeza gerada na sala — mas cujo funcionamento é mantido em segredo.

O maestro Alberto Tafuri teve papel central na concepção musical do projeto. “Somos amigos há trinta anos. Ele tem uma cultura infinita... nos longos trajetos juntos conversamos e chegamos à conclusão: era hora de cantar canções muito tristes”, conta Tafuri, lembrando também de uma redescoberta recente da melancolia em obras de Giorgio Gaber.

Como observadora cultural, digo que o gesto de Elio funciona como um espelho do nosso tempo: enquanto a indústria do entretenimento seringueia a alegria, esse tour propõe um reframe — uma pequena revolução afetiva que nos lembra que a arte também serve para acolher o que incomoda. O roteiro oculto da sociedade passa por essas escolhas curatoriais: reconhecer a tristeza é, muitas vezes, mapear a memória coletiva. E, ao final de cada ato, quando chegam os remédios sonoros de Carosone e Rossini, temos a sensação de ter participado de uma pequena epifania emocional.

O público, garante Elio, sai “enriquecido espiritualmente e retornado ao estado neutro”. Não há risco: todos podem assistir. Resta ao espectador aceitar o convite — sentar-se na penumbra do teatro e permitir que a música revele, por alguns instantes, o roteiro oculto da tristeza.

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