Mostra de Veneza 2026: George Clooney recebe o Leone d'Oro na noite de abertura

Abertura da Mostra de Veneza 2026: George Clooney recebe o Leone d'Oro; 'Ink' de Danny Boyle abre o festival e 'La ragazza con la Leica' estreia em Orizzonti.

Mostra de Veneza 2026: George Clooney recebe o Leone d'Oro na noite de abertura

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Mostra de Veneza 2026: George Clooney recebe o Leone d'Oro na noite de abertura

Começa hoje a 83ª edição da Mostra del Cinema di Venezia, um evento que funciona como espelho do nosso tempo e como um roteiro oculto das transformações culturais globais. O festival no Lido se anuncia grandioso: na noite de abertura, o cinema e a celebridade convergem quando George Clooney será homenageado com o Leone d'Oro alla carriera na Sala Grande do Palazzo del Cinema.

Guia Italia + — O conteúdo continua após a publicidade.

Continuação do Conteúdo ↘

A cerimônia inaugural, apresentada por Greta Scarano e Nicolas Maupas, terá a laudatio de outra presença icônica do cinema contemporâneo, a atriz vencedora do Oscar Laura Dern. A escolha de Dern para enaltecer Clooney é também um pequeno refrão da história recente do festival: ambos dividiram cena em 'Jay Kelly', de Noah Baumbach, filme que competiu na Mostra anterior — um eco que sublinha como laços criativos atravessam edições e narrativas, redesenhando o mapa das memórias cinematográficas.

No circuito competitivo, o filme de abertura é Ink, dirigido por Danny Boyle e estrelado por Jack O'Connell, Guy Pearce e Claire Foy. A produção revisita a escalada editorial de Rupert Murdoch e a transformação do jornal The Sun no tabloide mais vendido do Reino Unido, em confronto com o tradicional rival The Mirror. Ao colocar sob foco a indústria da notícia, Ink promete ser um espelho incômodo: não apenas sobre os meios, mas sobre as narrativas que moldam opiniões e mercados num cenário de rápida polarização.

Na seção Orizzonti será exibido La ragazza con la Leica, de Alina Marazzi, inspirado livremente no romance vencedor do Premio Strega 2018 de Helena Janeczek. O filme traz à luz a vida e o ofício de Gerda Taro, a fotoreportera alemã que morreu no front espanhol em 1937, muitas vezes ofuscada pela figura de Robert Capa. Com Emilia Schule, Aaron Altaras e Luna Wedler no elenco, a obra propõe um reframe da memória histórica, recuperando vozes que resistem ao esquecimento.

Além das projeções e dos prêmios, a abertura terá um momento musical: o cantor e ator italiano Tutti Fenomeni se apresentará durante a cerimônia, acrescentando um toque contemporâneo e pop ao ritual de prestígio do festival. Até 12 de setembro, o Lido receberá uma constelação de estrelas e produções que prometem discutir — entre glamour e crítica — a responsabilidade do entretenimento como espelho e agente de transformação social.

Como analista cultural, vejo nesta edição da Mostra não apenas um calendário de estreias, mas um painel semiótico: de um lado, filmes que interpelam a imprensa e a memória (Ink e La ragazza con la Leica); do outro, a consagração de trajetórias como a de George Clooney, cuja carreira funciona como uma narrativa transatlântica entre Hollywood e o cinema europeu. Em suma, Veneza 2026 se apresenta como um pequeno laboratório em que se testam os contornos do presente — e onde cada brilho no tapete vermelho reflete, mais do que fama, as tensões de uma era.

Guia Italia + — O conteúdo continua após a publicidade.

Continuação do Conteúdo ↘