Gás hilariante: o que é, por que envolve cerca de 50 jogadores da Série A e quais os riscos

Entenda o que é o gás hilariante (óxido nitroso), seu uso em festas com jogadores da Série A e os riscos de neuropatia e paralisia.

Gás hilariante: o que é, por que envolve cerca de 50 jogadores da Série A e quais os riscos

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Gás hilariante: o que é, por que envolve cerca de 50 jogadores da Série A e quais os riscos

Uma investigação sobre a noite milanesa revelou um fenômeno que ilumina sombras do entretenimento e do risco: cerca de cinquenta jogadores da Série A estariam envolvidos em festas com gás hilariante, o conhecido óxido nitroso (N2O). Relatos apontam para encontros com acompanhantes e consumo do gás após partidas em Milão — episódios que, segundo depoimentos colhidos pela Espresso Italia, chegaram a ocorrer mesmo durante a pandemia e lockdown.

Mas afinal, o que é esse gás hilariante? Trata-se de uma substância usada há séculos: o óxido nitroso (N2O) é empregado como anestésico em salas de cirurgia e por dentistas, e também aparece em cartuchos para uso alimentício, como os de chantilly. Depois de uma fase de menor uso, voltou a ganhar espaço como droga recreativa em casas noturnas e eventos sociais: é barato, produz pico rápido de euforia e — detalhe crucial para atletas submetidos a controles constantes — costuma ser invisível aos testes antidoping.

No uso recreativo, o gás é comercializado em pequenas bombonas de alumínio e é utilizado para encher balões; a inalação do conteúdo desses balões provoca risos, sensação de leveza, descolamento temporário da realidade e episódios de euforia, geralmente por apenas alguns minutos. Há também relatos de inalação direta do cartucho, prática especialmente perigosa, já que a substância pode ser armazenada a temperaturas de até -55 ºC, expondo o usuário a risco de queimaduras internas graves.

Os riscos médicos, porém, vão além das queimaduras. O óxido nitroso tem interação com a vitamina B12 (cobalamina), essencial para a produção da bainha de mielina que envolve as fibras nervosas. Ao oxidar a cobalamina, o gás pode provocar uma neuropatia progressiva que começa com formigamentos nas mãos e nos pés e, em casos graves, evolui para fraqueza muscular e até paralisia. É um preço alto por alguns minutos de sensação efêmera.

O panorama europeu reforça a dimensão do fenômeno: em 2023, o Observatório Europeu sobre Drogas e Toxicomanias registrou o gás hilariante (também chamado em gíria de "hippy crack") como a segunda substância recreativa mais usada entre jovens de 16 a 24 anos, atrás apenas da cannabis. Enquanto países como Holanda e Reino Unido proibiram o uso recreativo, a situação regulatória varia: na Itália, por exemplo, o óxido nitroso tem prescrição obrigatória quando usado como analgésico.

Para clubes, atletas e público, a história acende um debate sobre comportamento, responsabilidade e a necessidade de políticas claras de prevenção. Iluminar esse problema é semear caminhos de proteção: além de vigilância e orientação, há espaço para ações educativas que promovam escolhas informadas e preservem a saúde — sobretudo quando o custo do deslumbre pode ser uma vida afetada por danos neurológicos.

A Espresso Italia acompanha o caso e continuará a apurar os desdobramentos, trazendo à luz informações que ajudem a construir um horizonte límpido de segurança e bem-estar no esporte e na noite.