Julio Velasco recebe Prêmio Sport e Direitos Humanos no marco dos 50 anos do golpe na Argentina
Julio Velasco recebe o Prêmio Sport e Direitos Humanos na véspera dos 50 anos do golpe na Argentina, defendendo o esporte como baluarte dos direitos humanos.
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Julio Velasco recebe Prêmio Sport e Direitos Humanos no marco dos 50 anos do golpe na Argentina
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Em uma cerimônia que iluminou memórias e responsabilidades, o técnico Julio Velasco recebeu o Prêmio Sport e Direitos Humanos, iniciativa promovida pela Amnesty International Italia em parceria com a Sport4Society. O reconhecimento foi entregue às vésperas do 24 de março, data em que se completam 50 anos do golpe militar de 1976 na Argentina — um período que marcou gerações e deixou cicatrizes profundas.
Ao receber a honraria, Velasco destacou que o esporte deve ser um verdadeiro baluarte dos direitos humanos: “Não podemos permitir que as atletas e os atletas, especialmente os mais jovens, paguem pela escolha de governos”. Em seu discurso, emocionado, recordou que costuma recusar prêmio, mas aceitou este por seu significado íntimo ligado à memória de sua terra natal.
Velasco, que liderou equipes italianas ao topo do vôlei mundial, lembrou que nos anos sombrios da ditadura argentina o esporte foi “uma luz”. “A pallavolo foi a minha salvação; me deu propósito, me colocou perto dos jovens e trouxe, ano após ano, novas possibilidades. Em meio ao escuro, encontrei algo que me entusiasmava”, afirmou. O treinador também contou que usou episódios daquele período — em particular a coragem das Madres de Plaza de Mayo — como aula de cidadania e coragem para suas atletas: mulheres aparentemente ordinárias que se tornaram símbolos de resistência.
A cerimônia ocorreu na Università degli Studi di Roma 'Foro Italico', onde o presidente do júri, Riccardo Cucchi, entregou o prêmio e leu a motivação oficial: reconheceu Velasco não apenas pelas conquistas esportivas — levando seleções masculinas e femininas da Itália ao topo —, mas sobretudo por ensinar que os valores humanos valem mais que as medalhas. Cucchi ressaltou ainda o engajamento de Velasco em defesa da democracia e dos direitos humanos durante os anos da ditadura argentina.
Além do prêmio principal, foi concedida uma menção especial à Palestra Popolare Quarticciolo, de Roma, descrita como um “presídio educativo, cultural e humano”. A academia foi reconhecida por promover inclusão social, respeito às regras e confiança, por meio do pugilismo. “Vi nascer esta academia há dez anos: éramos poucos; hoje somos muitos”, disse Emanuele Agati, treinador da Palestra, ao receber a menção. Para Agati, o reconhecimento celebra um espaço que se tornou um verdadeiro contrapeso ao individualismo e à política do abandono — um marco de esperança e engajamento comunitário.
Esta premiação reforça a mensagem de que o esporte pode e deve ser agente de transformação social. Em tempos em que as decisões políticas têm impacto direto sobre a vida de cidadãs e cidadãos, iniciativas como a do prêmio — unindo organizações de direitos humanos e setores esportivos — são faíscas que iluminam novos caminhos: semear lembrança, cultivar resistência e tecer laços sociais que projetem um horizonte límpido para as próximas gerações.
Ao final do evento, ficou claro que a homenagem a Julio Velasco é também um chamado à ação: manter viva a memória histórica, proteger o papel educativo do esporte e garantir que clubes, academias e seleções continuem a formar não só campeões técnicos, mas cidadãos comprometidos com a dignidade e os direitos humanos.