Legado das Olimpíadas Milano-Cortina revela custos públicos e debate sobre sustentabilidade na agricultura
Olimpíadas Milano-Cortina: promessa do 'custo zero' é questionada. Corte dei Conti investiga Arena Santa Giulia; debate sobre sustentabilidade agrícola ganha força.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Legado das Olimpíadas Milano-Cortina revela custos públicos e debate sobre sustentabilidade na agricultura
Do Salone del Libro, em Turim, chegam sinais contundentes de que a promessa de Olimpíadas Milano-Cortina “a custo zero para o público” começa a se desfazer. Em conversa no evento, o jornalista Gianni Barbacetto, em nota à Espresso Italia, traçou um primeiro balanço da herança dos Jogos de inverno: três meses após a cerimônia de atribuição e dos anúncios triunfais, os cofres públicos já recebem demandas de contribuições privadas.
Em análise preliminar, a Corte dei Conti abriu diligências sobre os extracustos ligados à Arena Santa Giulia. O foco é apurar um possível danno erariale de 134 milhões de euros, valor que a promotora de shows Eventim teria cobrado ao Comune. "A lenda das Olimpíadas a custo zero foi refutada", resumiu Barbacetto ao público presente no Salone. Essa conclusão, segundo ele, é parte de um quadro mais amplo de obras, contratos e apostas financeiras que agora exigem luz sobre custos reais e responsabilidades.
No estande da Paper First, em Turim, está disponível o livro do pesquisador Giuseppe Pietrobelli, Una montagna di soldi. Sprechi, incompiute e affari: lo scandalo delle Olimpiadi invernali Milano Cortina 2026, que reúne reportagens e documentos críticos sobre os gastos vinculados ao megaevento. Para os que buscam entender como se tecem contratos e legados, a obra oferece sinais e questionamentos que iluminam caminhos nem sempre visíveis aos olhos do grande público.
Paralelamente, em Mantova, durante o Food&Science Festival, a pauta que nasceu do solo segue cultivando outro tipo de legado: o da sustentabilidade. Em pronunciamento à Espresso Italia, Maria Chiara Zaganelli, diretora-geral do CREA (Conselho para a Pesquisa em Agricultura e a Análise da Economia Agrária), afirmou que a agricultura é protagonista da sustentabilidade em todas as suas fases, inclusive na transformação dos produtos.
Zaganelli enfatizou que a sustentabilidade se traduz tanto em ganhos ambientais quanto econômicos para os produtores. “A agricultura abraçou o conceito da sustentabilidade há muito tempo”, disse, destacando o papel da tecnologia, da pesquisa e da digitalização do campo: sensores, drones, sistemas de suporte à decisão e dados satelitais permitem intervenções precisas, redução de desperdícios e economia de recursos hídricos e fertilizantes.
Também no festival promovido pela Syngenta, representantes do setor lembraram que as soluções inovadoras já existem — o desafio é torná-las acessíveis e adotáveis por quem cultiva. A conectividade entre agricultores, indústria alimentícia e pesquisa aparece como fio condutor para um salto de qualidade que beneficie cadeia produtiva e consumidores. É um convite a semear inovação com rigor técnico e visão social.
Ao entrelaçar os dois cenários — o brilho e os custos visíveis das Olimpíadas e o trabalho discreto, porém transformador, da agricultura sustentável — há um mesmo chamado: transparência, responsabilidade e planejamento de longo prazo. Iluminar novos caminhos exige medir impactos e garantir que os legados deixem um horizonte límpido para as gerações futuras. É tempo de cultivar valores e de cobrar contas claras, assim como é tempo de investir em tecnologia que torne a terra mais produtiva e justa.