Ansiedade da inteligência artificial cresce entre a Geração Z nos EUA; entusiasmo cai 14%
Pesquisa nos EUA mostra que a ansiedade da Geração Z sobre a inteligência artificial cresce; entusiasmo cai 14% e uso de chatbots é de 51%.
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Ansiedade da inteligência artificial cresce entre a Geração Z nos EUA; entusiasmo cai 14%
Pesquisa recente mostra que a ansiedade provocada pela inteligência artificial está aumentando entre a Geração Z, principalmente por causa das incertezas sobre o futuro do trabalho. O levantamento, realizado nos Estados Unidos pela Walton Family Foundation, GSV Ventures e Gallup, ouviu 1.572 jovens entre 14 e 29 anos e revela um quadro de mudança nas emoções em relação às tecnologias de IA.
Apesar de um uso sustentado de chatbots — relatado por 51% dos entrevistados da Geração Z —, o entusiasmo em relação à IA diminuiu 14 pontos percentuais no último ano. A porcentagem de jovens com sentimento de forte consenso sobre a tecnologia caiu para 22% (-14 pontos), a esperança reduziu para 18% (-9 pontos) e a raiva subiu para 31% (+9 pontos). A ansiedade, por sua vez, manteve-se estável em 42%.
O estudo também destaca uma divisão prática: muitos jovens que já trabalham avaliam que os riscos da inteligência artificial podem superar os benefícios, e confiam menos em tarefas assistidas por IA do que em trabalho exclusivamente humano. Por outro lado, cerca de metade dos jovens que ainda estudam manifestam o desejo de aprender como usar a IA na educação superior ou no futuro emprego. Essa convergência aponta para um conflito geracional e estrutural entre quem já extrai valor econômico dessas ferramentas e quem precisa construir um percurso profissional em um ambiente tecnológico em rápida transformação.
O descompasso foi visível em atos públicos recentes: discursos de fim de ano em universidades americanas foram interrompidos por vaias quando o tema da IA foi abordado. Um caso emblemático foi o do ex-CEO do Google, Eric Schmidt, na Universidade do Arizona, cujo discurso sobre o impacto da IA "em toda profissão, sala de aula, hospital, laboratório, pessoa e relação" foi saudado por vaias da plateia jovem. «Entendo esse medo, é racional e amplificado diariamente por algoritmos que perceberam que o pânico gera cliques e que a ansiedade aumenta o engajamento», comentou Schmidt, uma observação que expõe como o próprio sistema de distribuição de informação alimenta a tensão.
Outros episódios similares foram registrados na University of Central Florida, onde uma convidada enfrentou reações quando mencionou a IA. Essas interrupções funcionam como sinais do estado emocional da geração que vai compor, nos próximos anos, a espinha dorsal do mercado de trabalho e das plataformas digitais.
Interpretando os números em termos de infraestrutura social: a IA está se tornando um componente do alicerce digital que molda trajetórias profissionais, educação e confiança. O dado mais estrutural é que uma parcela significativa da Geração Z utiliza ferramentas de IA, mas encara-as com cautela e desconfiança. Para formuladores de políticas, instituições educacionais e empresas, o desafio é redesenhar camadas de governança, formação e transparência — como se estivéssemos reconfigurando o sistema nervoso das cidades para que o fluxo de dados não amplifique medos sociais, mas sim promova segurança e previsibilidade no mercado de trabalho.
Em suma, os alicerces digitais estão sendo assentados num momento de dúvidas: há demanda por competências em IA, mas também um pedido claro por garantias sobre riscos e equidade. É uma questão de engenharia social e técnica — não de entusiasmo cego nem de alarmismo — que definirá como essa geração navegará o novo cenário laboral.